Em Mariana e Barra Longa, redes de apoio auxiliam as comunidades na tomada de decisões

Atingidos que fazem parte da comissão presentes na foto (da direita para esquerda): Jhony, Sônia, Marlene, Romeu, Marcos Muniz, José Honorato, Weberson, Antônio DaLua, Luzia, Mauro Marcos, Genival, Maria do Carmo, Marino, Sandro, Kaé, Tcharles, Lilica. (Foto: Jornal A Sirene)

Por Assessorias Técnicas de Mariana e Barra Longa

Com o apoio de Letícia Lopes, Rafael Drumond e Wandeir Campos

Infelizmente, a realidade dos atingidos pelo crime da Samarco não é a da justa reparação dos direitos violados. Ao contrário, atingidos e atingidas de toda a Bacia do Rio Doce deparam-se com a necessidade de lutarem para garantirem medidas básicas de cuidado às vítimas e a adoção de práticas participativas de reconstrução e indenização.

Nesse contexto, as Comissões dos Atingidos exercem papeis fundamentais. São pessoas que representam e defendem os interesses de suas comunidades. Junto a eles, em Mariana e Barra Longa, assessorias técnicas independentes trabalham pela inserção crítica e ativa dos atingidos nos processos de reparação, garantindo informação qualificada e acompanhamento especializado.

Com essa rede de apoio, os desafios da vida pós-rompimento tornam-se, senão menores, ao menos possíveis de enfrentamento e conquistas.

Comissão dos atingidos

– Quem pode conversar com um jornalista que virá a Mariana na próxima semana?

– Que horas?

– 17h.

– Esse horário não dá. Tem GT de Patrimônio.

– Não é reunião de Cadastro?

– Não, a reunião de Cadastro é na quarta, antes da reunião da Comissão.

Em Mariana, a rotina dos atingidos que participam das atividades da Comissão não é fácil. Da reunião geral com todas as comunidades (Bento, Paracatu e comunidades rurais), realizadas nas noites de segunda, sai a sempre exaustiva agenda da semana: encontros com e sem a empresa, grupos de trabalho, grupos de base, oficinas, demandas da comunicação, entre outros. Quantos ali trabalham o dia todo e, ainda assim, gastam horas preciosas de descanso noturno e convivência familiar participando desse espaço de luta por direitos? Registramos o diálogo dos atingidos da Comissão de Mariana, que, por proximidade física, acompanhamos mais de perto. Mas o reconhecimento pelo trabalho também deve ser extensivo à Comissão de Barra Longa e a todos que lutam pelo futuro de suas comunidades.

Mariana: Assessoria Técnica da Cáritas e Fundação Ford

Na cidade de Mariana, a Assessoria Técnica da Cáritas Brasileira – Regional Minas Gerais foi contratada para assessorar os atingidos e atingidas na garantia de direitos e participação nos processos de reparação de perdas e danos de responsabilidade da Samarco, da Vale e da BHP Billiton. A equipe conta com 14 assessores distribuídos entre os três territórios de atuação: Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Comunidades da Zona Rural de Mariana (Borba, Campinas, Paracatu de Cima, Pedras e Ponte do Gama). Os assessores dos territórios acompanham todas as discussões referentes ao seu território e dialogam com a base. Além de acompanhar esses diversos espaços de discussão e negociação com as empresas, a assessoria se empenha em garantir o acesso das comunidades à informação. O papel da Cáritas é justamente o de assessorar os atingidos nas tomadas de decisões, para que sejam devidamente informados de suas possibilidades e direitos.

Os atingidos também contam com o apoio da  assessoria técnica do Ministério Público Estadual – financiada pela Fundação Ford -, um reforço profissional que permite ao MPE acompanhar mais de perto os casos particulares dos atingidos localizados na cidade.

A Cáritas possui 14 assessores que auxiliam nos processos indenizatórios os atingidos em Mariana.
A Cáritas possui 14 assessores que auxiliam nos processos indenizatórios os atingidos em Mariana. (Foto: Wandeir Campos/Jornal A Sirene)

Barra Longa: Assessoria Técnica da Aedas

Em Barra Longa, os atingidos também conquistaram o direito de ter uma assessoria técnica independente. Para isso, foi elaborado um Termo de Acordo entre a Comissão dos Atingidos de Barra Longa, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, as empresas Samarco, Vale e BHP, Fundação Renova e AEDAS (Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social) – esta última responsável por assumir os trabalhos no município.
A equipe começou a atuar em agosto de 2017, com o desafio de construir, juntamente com os atingidos e atingidas, um processo organizativo para discutir, propor, avaliar e pautar direitos humanos, econômicos, sociais, culturais e ambientais que foram violados com o rompimento da Barragem de Fundão. Nesses dois primeiros meses, os relatos e preocupações colhidos nos grupos de bases estão ligados, principalmente, ao reassentamento de Gesteira, à reforma de casas, aos quintais que foram atingidos e não foram reconstruídos, à saúde dos moradores que sofrem até hoje pela convivência com a poeira da lama e com o trauma gerado pelas mudanças de rotina.

Equipe da AEDAS durante reunião em Barra Longa
Seminário de apresentação da equipe AEDAS para os atingidos, em Barra Longa em Agosto deste ano. (Foto: Alexandra da Silva/Divulgação)
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