A nossa luta

(Foto: Larissa Helena/Jornal A Sirene)

Por Luzia Queiroz e Odete Cassiano

Com o apoio de Daniela Felix

Primeiro,

achamos que essa história acabaria depressa.

Depois,

percebemos que já estava demorando demais.

Agora,

já vai para três anos.

É a mesma coisa de ir jogando roupa e mais roupa dentro de um guarda-roupa.

Quando você abre a porta,

vem tudo em cima.

Se tivessem confiado na gente desde o início…

A maioria só quer o justo.

Se a confusão tá aí,

quem provocou foram eles.

Se não confiamos neles,

quem provocou foram eles.

Colocam vizinho

para brigar com vizinho.

Fazem tramoia

atrás de tramoia.

Negam os nossos direitos.

Dizem que “tal coisa”

não se aplica aos critérios da empresa.

E, então,

perguntamos:

Qual o critério que eles encontraram

pra jogar o rejeito na gente?

Se não tivessem ficado nessa briga de gato e rato,

isso já tinha chegado ao fim.

Tem muita gente acusando os(as) atingidos(as),

falando que a culpa é nossa,

que só queremos dinheiro.

Mas não vamos deixar que nos obriguem a nada.

Queremos poder dizer o que não é certo e o que não se aplica.

Isso não é sonhar demais.

Tem que ter o aval do(a) atingido(a),

senão não passa.

É a mesma coisa de fazer uma peça de teatro,

ou um filme,

sem o ator principal.

Todo mundo se esquece que essa história é nossa.

Brincam de faz de conta,

mas não estamos na Terra do Nunca.

Tentaram uma “queda de braço”.

Viram que não daria certo.

Hoje, querem provar que fazem o melhor.

Estão correndo contra o tempo.

Nós também estamos.

Tem hora que dão umas brechas

e a gente consegue algumas coisas.

Mas não confiamos de peito aberto.

Pode vir uma flecha

acertar a gente.

Depois do que aconteceu

ficamos abalados,

tristes,

nervosos.

As pessoas olham pra gente,

mas parece que não sabem com quem estão falando.

Se é com a pessoa “da barragem”,

da família

ou colega.

Acabamos perdendo algumas dessas pessoas,

e a gente sente por elas terem ido embora.

Por isso, não gostamos nem de ouvir falar em mineração

É que temos medo da outra.

A Germano,

a que ainda está lá,

e é muito maior que a de Fundão.

Para muitos de nós,

a quantidade de medicamentos até dobrou.

Mas saibam,

juntos,

inventamos maneiras de amenizar a nossa dor.

Para alcançar nossas conquistas,

unimos as nossas forças.

Quando um não entende,

explica para o(a) outro(a).

E mesmo as contradições

se somaram para tornar o nosso povo forte.

A nossa luta

é para que seja feito o melhor possível.

E a gente espera que a nossa fortaleza continue.

Vamos caminhando.

Até o fim.

Para recomeçarmos.

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