O que esconderam de nós

(Foto: Marcinho Lazarini/Divulgação)

Por Sebastião Silva de Oliveira (Tininho), José Augusto Delazari e José Márcio Lazarini (Marcinho)

Com o apoio de Larissa Pinto e Tainara Torres

Na última edição do Jornal A SIRENE, os moradores de Santana do Deserto, distrito de Rio Doce, denunciaram as condições dos diques de decantação construídos pela Renova/Samarco, no terreno da Fazenda Floresta, área próxima à Hidrelétrica de Candonga. A partir de uma nova suspeita, os moradores Marcinho e Tininho fizeram mais uma denúncia à Defesa Civil de Belo Horizonte, que, junto com a Defesa Civil de Rio Doce, exigiram da fundação/empresas um estudo que esclareça se há condições de continuar a obra. A empresa Allonda Ambiental, terceirizada responsável por esse estudo, tem 30 dias para a entregar um laudo.

Só agora que veio ao nosso conhecimento que o deslizamento de terra aconteceu no dia 15 de maio. Eles esconderam isso da gente. No mês passado, quando soubemos que havia acontecido um deslizamento no terreno da Fazenda Floresta, pensávamos que fosse algo recente. Fizemos uma denúncia para a Defesa Civil de Belo Horizonte e, a partir disso, tivemos uma reunião, no dia 19 de julho, com alguns engenheiros da Renova, com a Defesa Civil de Rio Doce e de Belo Horizonte. No mesmo dia, Marcinho e eu recebemos a liberação para acompanhar o processo de construção dos diques e fizemos uma visita ao terreno. Como nunca tínhamos tido acesso ao canteiro de obras, achávamos que a água do rio já estava sendo bombeada para os diques, mas eles só estavam colocando o rejeito seco. Pelo que eu vi lá, parece que aconteceram dois deslizamentos, um mais pra cima e outro na parte de baixo do dique.

Tininho, morador de Rio Doce

Durante a visita, os engenheiros nos explicaram que existem dois diques na Fazenda Floresta. O Dique 1, que está em construção, vai ser a bacia para receber o rejeito. Logo abaixo, é o Dique 2, onde houve o deslizamento de terra. Do outro lado, foi onde o barranco chiou [deslizou]. Mais pra cima do barranco, onde tem um corte de terra, já estão aparecendo outras trincas. O que sai do Dique 1 é a água, ainda suja, que cai no Dique 2 e recebe o tratamento de filtragem, por meio do processo de decantação, para cair no córrego de novo e ir embora. Se o Dique 2 estiver comprometido, vai ter que anular todo serviço.

Marcinho, morador de Rio Doce

(Foto: Marcinho Lazarini/Divulgação)

Na nossa opinião, a Fundação Renova não está preocupada em limpar o rio Doce, e sim os 400 metros acima do muro da usina, que é o suficiente para ela voltar a operar, pois eles só estão tirando um terço de toda lama que está no rio. O que a gente entende é que vai ser um trabalho contínuo, porque se chover o rejeito desce de novo. Eles fizeram os barramentos dentro do lago para ver se impedia o rejeito de descer, só que ele desce do mesmo jeito. O serviço não funcionou.

Zé Augusto e Marcinho, moradores de Rio Doce

Local onde houve o deslizamento no terreno da Fazenda Floresta. O Dique 2, construído pela Fundação Renova/Samarco, já apresenta trincas. (Foto: Marcinho Lazarini/Divulgação)

“Desceu muita coisa, desceu árvore, desceu tudo. Mas, quando nós fomos na visita, eles já tinham dado uma ‘sarada’ no terreno com as britas que cobrem tudo. Agora já deu outra trinca.”

Tininho, morador de Rio Doce

“Eles vão prensando esse barranco pra não chiar mais, vão colocando pedra, compactando, porque lá é uma grota. Fazem isso de um lado ao outro, subindo e prensando. Agora estão esperando o resultado dessa sondagem.”

Marcinho, morador de Rio Doce

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