Voltar sozinha

(Foto: Tainara Torres/Jornal A Sirene)

Por Claudia dos Santos e Maria Geralda

Com o apoio de Assessoria Técnica Cáritas, Daniela Felix e Miriã Bonifácio

Se dividindo entre a luta, o trabalho e a família, as mulheres atingidas assumiram um protagonismo na defesa dos direitos de suas comunidades. Quando conseguem, elas participam de uma rotina intensa de reuniões, de segunda a sexta-feira, e, muitas vezes, aos fins de semana. Porém, esses encontros costumam terminar tarde da noite e, geralmente, acontecem em lugares que ficam distantes de suas moradias provisórias em Mariana. Por causa do medo de terem que voltar sozinhas para casa, e levando em consideração outras dificuldades, como a das pessoas idosas, das mães com filhos de colo, e também de quem precisa arcar com o custo das passagens, elas entendem a necessidade de haver transporte dentro da cidade que possibilite essa presença em todos os espaços de debate interessantes aos(às) atingidos(as).

“Às vezes, a Renova até manda uma van, mas não é sempre. Depende do que se trata a reunião. Acredito que o certo seria disponibilizar transporte para todos, pelo menos na hora da volta. Porque aí a gente não precisa ficar se preocupando com a hora que vai terminar, e em como vamos voltar para casa. Tenho medo de andar sozinha em Mariana à noite, e de ficar esperando no ponto de ônibus vazio. Quando o encontro é no escritório da Comissão, por exemplo, eu volto num galope só, conversando com Deus. É duro também ficar pagando passagem com o meu dinheiro. Gosto de estar presente em todas as reuniões, mas moro longe. Com o transporte seria mais fácil, mais gente iria, e sem precisar sair mais cedo por conta do horário. Eles [Renova] poderiam se organizar em relação a isso.”

Maria Geralda, moradora de Paracatu de Baixo

“Eu vou nas reuniões que dá, né, porque tem a semana toda, e eu vou a pé, com meus filhos e minha mãe. Às vezes, também levo o meu bebê de três meses, porque tenho que amamentar. Deveria ter transporte pra gente ir nas reuniões sim. Pelo menos na hora de voltar, porque acaba tarde da noite. Você já foi da Vila Maquiné até o Centro de Convenções? Pois é. E tem muita família morando aqui nesse bairro e que participa sempre. Também tem as pessoas mais velhas, como a minha mãe, de 59 anos, e outras donas com mais de 60, que vão a pé. A gente até já se acostumou a andar, mas tem hora que cansa, principalmente depois de ter passado o dia todo fazendo um monte de coisa. Então, se pudessem arrumar um jeito de mandar transporte, a gente agradeceria. Eu acho que assim as pessoas participariam mais.”

Claudia Aparecida dos Santos, moradora de Bento Rodrigues

“O entendimento que a gente tem é que seria importante que a Fundação Renova oferecesse transporte aos atingidos para toda e qualquer reunião, independentemente se ela está presente ou não. Mas o que acontece é que a Renova só disponibiliza o transporte quando ela comparece. O projeto de assessoria técnica, por sua vez, não possui recursos para o transporte.”

Gladston Figueiredo, Coordenador Operacional da Assessoria Técnica Cáritas

O Jornal A SIRENE questionou a Fundação Renova/Samarco sobre a disponibilização de transporte para os(as) atingidos(as) em todas as reuniões definidas em agenda, e obteve, como resposta, que a fundação/empresa identifica essa necessidade durante a sua mobilização para algum encontro, e também quando o(a) atingido(a) faz esse pedido de forma individual ou por meio de sua comissão. Entretanto, não disponibilizaram um canal de comunicação específico para receber essa demanda.

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