O que as crianças nos ensinam

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O que as crianças nos ensinam
Entre a família

Bruna (Estelar) e Lilica

O que as crianças nos ensinam
Entre a família

Da esquerda pra direita: Krislayne e Zé Augusto, e na parte inferior da foto, Kaylaine (Mulher Invisível) e Laiane.

O que as crianças nos ensinam
Entre a família

Simone e Sofya (Princesa Moana)

O que as crianças nos ensinam
Entre a família

Hiata, Pedro (Super Bagunça), Sofia (Super Melindrosa) e Ana Clara (Super Pirraça)

Por Hiata Meiriane Salgado, José Augusto Delazari, José Barbosa dos Santos, Maria Carneiro (Lilica) e Simone Silva

Com apoio de Amanda Gonçalves, Flávio Ribeiro e Larissa Pinto

Já são quase três anos desde que nossas vidas mudaram completamente. O tempo passa, a lama continua no rio, nenhum responsável pelo crime da Samarco é punido, nossa nova casa não sai do papel e ainda tem atingido(a) que não foi reconhecido(a). Nessa vida de luta, quem nos dá força, esperança e inspiração, com sua alegria e amor, são as crianças, os heróis e heroínas de nossas histórias.

“A Bruna é uma menina muito calma. Ela é a ‘Estelar’ do Jovens Titans, porque ela é doce, carinhosa, gentil, responsável e meiga. Ela me ajuda bastante, graças a Deus, porque ela é muito tranquila. Tudo o que nós duas passamos juntas, olhando pra ela, me deu força. Eu sempre quis que ela crescesse com tranquilidade, desde que ela era pequena. O mundo, hoje, é muito bagunçado e, se a pessoa se misturar no mundo, nos transtornos do mundo, não consegue sobreviver. A gente tem que ver as coisas, mas levar tudo com tranquilidade. As crianças são muito inocentes, né? Elas passam isso pra gente: ter um pouco de inocência do que é o mundo. Eu fiz uma tatuagem com o nome dela, já deve ter uns sete anos. Eu decidi fazer porque ela é minha vidinha, né? Então, tenho que andar com o nome dela, porque aí ela anda comigo o tempo todo. Eu fico a semana inteira longe, mas a gente tá sempre juntas em pensamento. O superpoder dela é o sorriso, a alegria. Por mais difícil que seja a vida, ela segue sempre sorrindo, alegre, brincando. Ela consegue passar pelas dificuldades sorrindo, igual a mim.”

Lilica, moradora de Ponte do Gama

“Sofya é minha ‘princesa Moana’, é minha guerreira. Sofya é gigante, porque ela é a luz dos meus dias, ela me fortalece nos momentos em que eu me sinto fraca. Mesmo com tantos problemas, ela continua forte, alegre, extrovertida. Ela é minha heroína, minha guerreira, sempre me dá esperança e me fortalece. Apesar de tudo o que tem acontecido nesses quase três anos, ela resiste, persiste. Sofya é de luta.”

Simone Silva, moradora de Barra Longa

“Sofia tem sete anos, ela é a ‘Super Melindrosa’. É muito meiga e passa isso pra gente, sabe? Ela chega, fala ‘Mamãe, eu te amo’, abraça, dá carinho. Ana Clara é a mesma coisa, ela tem quatro anos e é mais carinhosa ainda. Quando gruda, então, não quer soltar. Ela é a ‘Super Pirraça’. Pedrinho é o galã da família e tem um ano e meio. Ele também é muito carinhoso. O Pedro é o ‘Super Bagunça’. Meus filhos têm me ensinado a ter muita paciência, tenho que ter com todos eles, né? Eles me ensinam a amar também, porque, a cada dia, o amor só aumenta; a disciplinar, porque criança tem que ter disciplina; a olhar pro futuro, porque, hoje, eu só vejo o futuro pra eles, não me vejo pensando em mim, só neles. Desde que eu virei mãe, mudou tudo. Hoje, eu sou mais responsável, tudo o que eu faço, eu penso neles primeiro, se vai prejudicá-los. Eu fico o tempo todo ligada neles, porque são tudo o que eu tenho. A única certeza na minha vida, hoje, são meus filhos.”

Hiata Meiriane Salgado, moradora de Bento Rodrigues

“A gente aprende muita coisa sendo pai, avô. A responsabilidade tem que ser outra. Quando meus meninos eram pequenos, eu vivia sempre trabalhando. Eles só me viam mais à noite, mas, na época, era assim mesmo. Graças a Deus, todos estão criados. A gente pelejava pra educar. Tem hora que as crianças fazem alegria na gente, tem hora que fazem raiva também, mas é muito amor.”

José Barbosa dos Santos, morador de Bento Rodrigues

“A gente faz as coisas de uma forma diferente quando é pai, né? Tudo muda muito, a gente cria mais responsabilidade. A mais velha, Kaylaine, tá com sete anos, e a Krislayne tem um ano e nove meses. Nossa, eu tenho aprendido tanta coisa com elas. A Kaylaine é uma menina muito estudiosa, inteligente, carismática. Essas são coisas que ela vai levar pra vida toda. No início do ano, a Kaylaine ganhou honra ao mérito por tirar notas muito boas e, agora, nesse bimestre, ela ganhou novamente. A gente aprende isso com ela. A super heroína que ela quer ser é a ‘Mulher Invisível’ para salvar as pessoas em ninguém vê-la. E a Krislayne é pequena, mas também é inteligente, é muito esperta, carinhosa, gosta de fazer carinho na gente, dá beijinho. Se elas continuarem desse jeito, elas ainda vão me dar muita alegria.”

José Augusto Delazari, morador de Rio Doce

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