Mães atingidas

Foto: Tainara Torres

No mês de maio comemoramos o Dia das Mães. Para marcar esta data, o Jornal A SIRENE traz as histórias dessas mulheres que precisam encarar os desafios da maternidade e que, ao mesmo tempo, lidam com as dificuldades de serem atingidas, desde 2015, pelo crime da Samarco (Vale e BHP Billiton). Além delas, ouvimos suas filhas, que lutam e que desejam compartilhar mensagens de gratidão com todas as mães.

Por Luzia Queiroz, Maria do Carmo Sena, Mirella Lino, Olívia do Carmo Gonçalves, Mirella Lino e Roziny Santos Silva
Com o apoio de Larissa Pinto, Matheus Effgen e Tainara Torres

“Na minha trajetória, abracei várias situações: já fui tia, mãe, madrinha e avó de várias pessoas que passaram pela minha vida. Conquistei estes títulos aos 14 anos, quando minha mãe faleceu. Desde então, me vi orientando e cuidando de todos que se achegam a mim. Hoje, tenho filhos, afilhados, netos de sangue e de coração. Meu sobrinho é meu neto e ninguém me tira isso. Confundimos a cabeça dos outros, mas o que importa é sermos felizes e trazer felicidade para aqueles que nos adotam.

Luzia Queiroz, moradora de Paracatu de Baixo

Tinha 22 anos quando a maternidade me encontrou sozinha, sem emprego e quase desamparada, não fosse a minha mãe que nunca me abandonou. Em meio aos desafios da época, defini a maternidade como sinônimo de responsabilidade. Não queria decepcionar a “tal sociedade”, que tanto me cobrou uma postura. Meu filho teria caráter acima de tudo. E tem, graças a Deus.

Como se não bastasse, percebi que o coração de mãe não tem limites: o amor transcende por cada filho. São três filhos maravilhosos, que amo incondicionalmente: cada um a seu modo e no seu tempo. Faço o impossível para vê-los felizes. Eu só não sabia que minha capacidade de amar seria tão grande, até que, um dia, ouvi alguém me chamar de “vovó”. Bem, aí já é uma outra história, de um amor maior…

Roziny Santos Silva, moradora de Rio Doce

A coisa mais preciosa que eu tenho na vida são meus filhos, a minha felicidade são eles. É muito bom ser mãe, principalmente pelos filhos que tenho: carinhosos, compreensivos, são bons filhos. Me orgulho de ser mãe e sou apaixonada por eles, às vezes, me acham até enjoada. É um amor que não tem preço. Fui mãe nova, aos 17 anos, e não me arrependo, nem do tanto de filhos que eu tive. Eu brigo, coloco de castigo, mas são meus. Ser mãe aos 17 foi bom, mas hoje seria difícil porque a cabeça das meninas é outra. As minhas filhas falam: “Eu não quero ter filho agora”. E eu concordo com elas porque é tudo diferente.

Maria do Carmo Sena, moradora de Paracatu de Baixo

Lá era mais fácil

Eu tenho medo de acontecer alguma coisa com meus filhos. Veio uma responsabilidade muito grande pra mim depois desse crime porque me separou do pai deles. Lá em Paracatu, ele saía de manhã, mas, à tarde, já estava em casa. Estávamos, nós dois, juntos no dia a dia. Agora, a gente se separou totalmente porque ele tem de trabalhar, tem os filhos para manter. Os meninos, praticamente, só têm o pai no domingo, e eu me sinto sobrecarregada.

Maria do Carmo Sena, moradora de Paracatu de Baixo

Agora vem os Dias das Mães. Quando se aproximava desse dia, antes do rompimento, era euforia pura. Hoje, festejar o Dia das Mães não é mais a mesma coisa. Eu sinto falta desse tempo caloroso em que a gente fazia almoço, se preocupava com quem ia dar o quê. Agora, com essa vida dupla de ser mãe e atingida, tenho um modo de viver diferente.

Luzia Queiroz, moradora de Paracatu de Baixo

A convivência era diferente porque ficava tudo perto, escola, igreja, campo de futebol. Para mim, como mãe, lá era muito melhor. Aqui, quando eles saem, só consigo comunicar por telefone, são seis filhos. A preocupação é maior, a gente não sabe o que está acontecendo.

Maria do Carmo Sena, moradora de Paracatu de Baixo

Para as mães

Mãe, dedico esta mensagem a você, que esteve ao meu lado nas horas em que chorei e nas horas em que sorri; nas horas em que me lamentei e nas horas de alegria. Agradeço pelo sorriso diário, sem mágoas ou rancores. Agradeço, de peito aberto, de alma exposta. Agradeço pelos meus dias de mau humor, em que me acalmou no seu colo. Hoje, quero agradecer porque você fez, faz e fará sempre parte da minha história. Você é maravilhosa, uma mãe e tanto.

Obrigada pela vida!

Olívia do Carmo Gonçalves, moradora de Paracatu de Baixo

Quero parabenizar todas as mães que enfrentam muita coisa, às vezes sozinhas, para defender os filhos, para que nada os machuque ou magoe, mesmo ela própria estando machucada, magoada e desestruturada. Me emociono ao falar isso porque minha mãe é um belo exemplo. Estamos, há três anos e meio, aprendendo muito com a luta, nos fortalecendo como mãe e filha. Hoje, formamos uma dupla que é Mirella e sua mãe, ou Cidinha e Mirella. É difícil dizer onde uma acaba e a outra começa porque somos muito unidas. E ela tá cansada, desesperançosa, magoada, mas ela não se sente no direito de desistir porque não quer ver os filhos dela magoados, desestruturados. Então, mesmo estando nos piores dias, ela é capaz de se manter forte para que a família não se desestruture mais ainda. Eu quero dizer que eu amo demais essa mulher, mesmo que, às vezes, ela não acredite. A minha maior referência de heroína é a minha mãe.

Mirella Lino, moradora de Ponte do Gama

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