Nossa brincadeira é coisa séria

Brincar não é apenas uma forma de entretenimento e lazer, é uma ação essencial para que as crianças desenvolvam habilidades motoras, compreendam o mundo, as relações sociais, aprendam regras e desempenhem certa autonomia sobre seus corpos e suas emoções. As brincadeiras, diversas vezes, são utilizadas pelas crianças como forma de expressão. As crianças atingidas de Bento Rodrigues e de Paracatu de Baixo nos contam um pouco sobre as suas brincadeiras preferidas e como elas precisam se adaptar aos diferentes espaços da cidade de Mariana para continuar brincando.

Por Lídice Maya da Silva, Lucielly Aparecida Lopes Marcelino, Marcela da Silva, Maria Eliza Alves da Silva, Maria Emília de Sousa Silva, Pâmela Eduarda Anacleto, Rafaela Kecia da Silva, Raquel Luciana Felipe, Samantha Fernandes, Weuller de Sousa Cota

Com o apoio de Jaciara Lima*, Joice Valverde, Júlia Militão, Juliana Carvalho, Lavínia Torres*, Victória Oliveira* e Wigde Arcangelo

*Programa de extensão da UFOP “Sujeitos de suas histórias”

Eu brincava na rua de verdade e desafio, queimada de meia, futebol descalço e pique-esconde à noite. Não tenho uma brincadeira preferida, sempre gostei de todas. Agora, não brinco mais, porque não tem espaço e meus amigos moram todos longe. Se meus amigos morassem perto, ainda brincaria. Teve uma vez que fiquei agarrada no arame brincando de pique-esconde, fiquei com a minha testa ralada.

Maria Eliza Alves da Silva, 14 anos, moradora de Bento Rodrigues

 

Eu gosto de brincar de futebol, de vôlei, peteca, pingue-pongue, olho-de-boi e panelinha. Eu costumo brincar com meus amigos da escola. Brinco de futebol todos os dias. Fora da escola, não brinco muito. A gente mora longe, não tem como a gente se encontrar, senão no futebol. Mas, antes, a gente tinha o costume de se encontrar. 

Marcela da Silva, 13 anos, moradora de Paracatu de Baixo

 

Eu gosto de brincar de Barbie, de boneca e futebol também. Também gosto de brincar de escolinha. Brinco com meus amigos, de futebol, no campinho da escola. Fora da escola, a gente se encontra no futebol para jogar. Lá em Paracatu, quando a gente se encontrava, brincava de pique-cola, pique-esconde, pique-corrente…

Pâmela Eduarda Anacleto, 13 anos, moradora de Paracatu de Baixo

 

Aprendi a brincar de pique-corrente com os meus amigos mais velhos. Era a minha brincadeira favorita, porque movimenta, eu gosto de me movimentar, não gosto de ficar parado, não. Ficar parado é muito chato. 

Weuller de Sousa Cota, 15 anos, morador de Paracatu de Baixo

 

Dependendo da pessoa que estivesse comigo, jogava belisca, pique-pega… Belisca é uma brincadeira que a gente brinca com 12 pedras ou 12 sementes de olho-de-boi e joga entre duas pessoas.

Lucielly Aparecida Lopes Marcelino, 14 anos, moradora de Paracatu de Baixo

As brincadeiras que eu mais brincava era futebol, queimada e pique-esconde. Aqui, não tem muito espaço para a gente brincar, aí, com isso, a gente brinca de futebol na escola e, de vez em quando, em frente de casa. Futebol era a minha brincadeira favorita, porque a gente se juntava com os amigos e podia se divertir e brincar, a gente se juntava na praça para ficar jogando futebol.

Lídice Maya da Silva, 14 anos, moradora de Bento Rodrigues

 

No Bento, eu brincava de futebol e queimada. Às vezes, muito raro, eu ainda brinco dessas brincadeiras aqui em Mariana. Jogo mais futebol, porque é mais fácil de praticar. Eu vou para a escolinha de futebol e jogo lá. 

Samantha Fernandes, 13 anos, moradora de Bento Rodrigues

 

As brincadeiras que eu mais gostava eram futebol, queimada de meia e pique-esconde à noite. Eu não brinco mais, porque aqui não tem espaço. Mesmo que tivesse espaço, ia faltar amigos, porque estão longe.

Raquel Luciana Felipe, 14 anos, moradora de Bento Rodrigues

 

Hoje, não brinco mais, porque as amizades que a gente tinha se separaram, se distanciaram, não tem como a gente brincar. Isso é ruim, porque não tem com quem a gente brincar. Com quem a gente vai brincar? Com quem a gente não conhece? Sinto falta de brincar. 

Rafaela Kecia da Silva, 16 anos, moradora de Paracatu de Baixo

Eu brincava quase sempre, não era todo dia. Às vezes, a gente brincava quando saía da escola e, às vezes, no final de semana. Hoje, não brinco mais de nenhuma dessas brincadeiras.

Lucielly Aparecida Lopes Marcelino, 14 anos, moradora de Paracatu de Baixo

 

Hoje em dia, eu não brinco de nada. Cresci e ficou tudo chato. Sinto falta de brincar de pique-corrente. Não brinco mais, porque não tem espaço, não tem pessoas para brincar. Gostaria de voltar no tempo para refazer essas brincadeiras. Mas eu acho que não é possível, porque a gente já perdeu o contato. Eu vou ensinar as brincadeiras que eu brincava para os meus filhos, para saberem como foi a minha infância, cultura… 

Weuller de Sousa Cota, 15 anos, morador de Paracatu de Baixo

 

Eu gostaria de passar essas brincadeiras adiante, é importante. Por exemplo: brincar pode fazer meu filho se distrair um cado, vai ficar alegre… Não tem como brincar sem aprontar, fazer arte. Eu brinquei, eu aprontei. Por que meu filho, um dia, não vai poder aprontar? É importante para a criança, faz desenvolver rápido: cai, machuca, amanhã tá lá de novo.

Rafaela Kecia da Silva, 16 anos, moradora de Paracatu de Baixo

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