As férias não são mais as mesmas

Na edição especial do Mês das Crianças, produzida com os adolescentes das escolas de Paracatu de Baixo e de Bento Rodrigues, falamos sobre a saudade dos espaços, das brincadeiras e das histórias que as crianças compartilhavam nas comunidades. Hoje, em Mariana, essas relações mudaram completamente. Estar junto dos amigos, agora, é mais difícil e a escola tornou-se o ponto de encontro principal. No período de férias escolares, promover essa união é algo ainda mais custoso. O crime do rompimento da barragem de Fundão, controlada pela Samarco, Vale e BHP Billiton, se faz presente no cotidiano dessas crianças, que precisam se adaptar à falta de possibilidades de lazer com seus amigos nas férias. 

Por Eliana Silva e José Geraldo Marcelino

Com o apoio de Júlia Militão 

Na verdade, eles se encontram mais na escola. Quando tá de férias, eles não se veem, pouco se veem e ficam mais presos, né? Na minha casa, na casa da minha mãe, da minha mãe pra minha casa, não tem, assim, outros amigos pra poder sair, pra conversar, não encontram com os amiguinhos deles que são da mesma comunidade, lá de Paracatu. Não tem uma atividade pra que possa fazer, pra que não fique em casa. Na maioria das vezes, eu fico preocupada, porque é só internet, só o telefone, o tempo todo enfiado dentro dos quartos, em jogo… Às vezes, eu fico nervosa, mas eu vejo que é o meio que eles arrumam pra ocupar um pouco a cabeça. É muito ruim, porque eu trabalho e eu fico preocupada com eles, né?

Eliana Silva, moradora de Paracatu de Baixo

 

Para a minha filha, teve uma diferença grande, pois, aqui em Mariana, ela não encontra muito os amigos, então ela passa as férias mais é mexendo no celular e na televisão, uma hora ou outra que sai. Na roça era diferente, moravam uns perto dos outros, podia ficar até tarde na rua sem perigo, sempre estavam brincando de alguma coisa. Aqui não brincam muito e, à noite, aqui, é perigoso e, sempre que ficamos sabendo de eventos, já passou a data. 

José Geraldo Marcelino, morador de Paracatu de Baixo

 

Lá em Paracatu, a gente tinha tudo, né, não precisava ser da forma e do jeito que é hoje, aqui em Mariana. Então é muito complicado, porque fica sem motivação. Nas férias é muito confuso, porque não tem o que fazer, não tem pra onde ir. Eles ficam sem rumo e eu também.

Eliana Silva, moradora de Paracatu de Baixo

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