Um Dia das Mães diferente

O Dia das Mães é uma das datas comemorativas mais importantes do Brasil. Geralmente, é um dia que separamos para homenagear aquelas pessoas que assumiram o papel de cuidado com os seus. É muito comum que, nessa data, as famílias se reúnam para celebrar a vida e o amor a essas mães. Neste ano de 2020, no entanto, o Dia das Mães foi diferente. Algumas mães das comunidades atingidas nos contaram como foi passar esse dia com a saudade dos(as) filhos(as) e dos(as) irmãos(ãs) distantes, sem o abraço e o contato físico de familiares e vizinhos(as) dos territórios. Um dia saudoso, nostálgico, mas com a responsabilidade de continuar cuidando da saúde de cada pessoa querida por meio do distanciamento social.

Por Gracinha Costa, Olívia Gonçalves, Terezinha Maria dos Santos (Nega) e Vera Lúcia

Com o apoio de Júlia Militão e Simone Silva

Geralmente, antes da barragem romper, nós iríamos pra casa da minha mãe, em Paracatu. Juntávamos os irmãos e íamos. Agora, estamos aqui, com essa quarentena. Também foi aniversário da minha menina, inventei um bolo surpresa de emergência, cantamos “parabéns”. E ficamos ali, a família reunida contando caso, relembrando as coisas que aconteciam em Paracatu, nessa época. Lá em Paracatu, no Dia das Mães, era prática das famílias receber visita. Por exemplo, eu ia na casa das minhas tias; a cada lugar que você ia, tinha que comer um pouquinho, era costume você ir na casa de todo mundo assim. Geralmente, eu ia nas minhas tias, na casa dos vizinhos que eu tinha costume… Hoje, como muitos não moram tão perto, acabou esse contato de ir em casa. Lá na roça, era gostoso, porque, quando chegava o Dia das Mães, era dia de um ir na casa do outro, provar um “tiquinho” da comida do outro, era muito gostoso, sabe? E, aqui, eu vi que acabou. Então, lá em Paracatu, todo mundo ia na casa de todo mundo, contar caso; aqui, depois que a barragem rompeu, isso acabou, você não vê ninguém na casa de ninguém, ninguém visitando ninguém… Eu sinto muita falta disso. 

Olívia Gonçalves, moradora de Paracatu de Baixo

Uma parte foi boa, porque eu passei com meu marido e três filhos meus. Na outra parte, eu me senti muito triste, porque é a primeira vez que eu passo sem os outros três, de Belo Horizonte, que não puderam vir por causa da quarentena. Então isso foi muito triste, porque, em todos os Dias das Mães, a minha casa fica cheia, com os meus filhos, meus genros, meus netos. E esse ano, por causa da quarentena, foi triste. Mas fazer o quê, né? Em nome de Jesus, isso vai passar logo, logo e eu vou estar junto, em dezembro ou até no Dia dos Pais, com todo mundo presente.

Gracinha Costa, moradora de Gesteira

Foi um Dia das Mães diferente, em que não houve abraços. Mas não posso falar que foi ruim, tive meus filhos comigo, mantendo todo cuidado que devemos ter. Mesmo com toda restrição, foi um Dia das Mães feliz. Se Deus quiser, no próximo ano, poderemos abraçar e ficar juntinhos sem medo de nada, basta ter fé e paciência.

Terezinha Maria dos Santos (Nega), moradora de Bento Rodrigues

Passei bem, graças a Deus. Saudosa, né? Com saudade da nossa rotina… Só com os filhos presente, que estavam em casa. Cheia de saudade, mas com respeito à nossa saúde, porque essa epidemia vem nos trazendo um transtorno muito grande. Passamos só com quem estava em casa mesmo, sem tumultuar, só com as lembranças e as ligações do meu filho, que mora fora e não veio, em respeito à nossa saúde, à nossa idade… E só o tempo que vai responder, pra nós, isso aí. A gente tem que cuidar, a gente tem que estar atentos, porque o vírus não é brincadeira. O vírus avança muito rápido. Então a gente, tendo esse cuidado de não estar expostos, mais quietos dentro de casa, a gente pode ficar livre dele. Então, pra mim, foi um dia bom, um dia saudoso, mas uma saudade que é pra prevalecer a minha saúde e a do meu marido… Recebi muitas ligações de amigos, de mães e filhos, que me completaram. 

Vera Lúcia, moradora de Gesteira

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