A destruição do que restou

A comunidade de Bento Rodrigues vem sendo desrespeitada pela omissão da Renova/Samarco/Vale/BHP Billiton que, diante da falta de manutenção das ruínas da capela de São Bento, não apontam para qualquer movimento de zelo com o patrimônio dos(as) atingidos(as). A capela, que leva o nome do padroeiro da comunidade, vem sendo alvo de descuidos há muito tempo, e apresenta vários sinais de deterioramento e de falta de limpeza. O que era para ser da responsabilidade da Renova/Samarco/Vale/BHP Billiton, os(as) atingidos(as) tentam fazer, a fim de que o local não sofra ainda mais com o descaso das empresas. 

Por Cristiano Sales e Mauro Marcos da Silva

Com o apoio de Juliana Carvalho

Registro das ruínas da capela, em novembro de 2019.

A realidade é que está um total estado de abandono por parte das empresas, especialmente por parte da Renova, que foi constituída para a  reparação e também  preservação do patrimônio histórico. Na última reunião que nós tivemos com a equipe de patrimônio da Renova, no início de 2019, o acordo é que seria construída uma tenda ao lado das ruínas de São Bento para que fosse restaurado o piso e as paredes remanescentes. Nós solicitamos que fosse feito de alvenaria, a fim de resistir mais tempo, porque o que tem lá hoje são tendas e essas tendas são trocadas periodicamente, e a que está lá está toda furada. Então foi feita essa reunião e a intenção da Renova seria tirar o assoalho, levar para a reserva técnica, restaurar, voltar e recolocar. Nós, da Comissão e da comunidade, não concordamos, visto que o interesse das empresas é que não tenha vestígios de algo que possa ser relativo ao patrimônio. O que foi feito lá pra preservar o assoalho está acelerando o processo de decomposição da madeira. Pra gente, é uma perda irreparável.

Mauro Marcos da Silva, morador de Bento Rodrigues

Situação atual da capela de São Bento.

Já tem uns dois meses que venho solicitando a limpeza das ruínas da capela de São Bento, só que a Renova fica nos enrolando. É responsabilidade dela. Eu vejo o descaso por parte da empresa. Está bastante complicado lá, com muito mato, não  tem nem como acessar direito. Vou lá todo final semana. A Renova sempre fala que vai limpar e só fica enrolando, em um “jogo de empurra”, sabe? A limpeza é muito importante por causa de animais. 

Cristiano Sales, morador de Bento Rodrigues

O TTAC garante essa preservação, mas a Renova faz “corpo mole”. A gente tem que ficar implorando para a Renova fazer o que já está acordado e homologado. Por exemplo, a capela das Mercês ainda não caiu, porque nós continuamos indo lá, abrindo pra ventilar, pra circular o ar e fazer pequenos reparos no telhado, porque a gente vê que não há interesse por parte das empresas em preservar aquele patrimônio. A gente vê que tem um interesse muito grande, tanto da Samarco quanto da Vale, para que não haja sequer vestígios de algum patrimônio. A intenção das empresas é que o local de Bento e as ruínas de São Bento, desapareçam ou sejam remanejados para um outro lugar a fim de que as empresas possam expandir suas atividades minerárias. O interesse das empresas é único e exclusivo na total destruição do que restou de Bento Rodrigues. 

Mauro Marcos da Silva, morador de Bento Rodrigues

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