Os problemas dos atendimentos virtuais

O período de distanciamento social parece interminável e, a cada dia, vem trazendo mais cansaço e dificuldades para a vida dos(das) atingidos(as). A denúncia de que a Renova/Samarco/Vale/BHP Billiton estava se aproveitando dos atendimentos virtuais para enrolar ainda mais o processo de reparação das comunidades atingidas já havia aparecido no Jornal A SIRENE a partir de uma matéria da Cáritas, no mês passado. Não se trata, aqui, de culpabilizar as empresas pelo regime de distanciamento social que todos(as) devem adotar em virtude da pandemia do novo coronavírus. Trata-se de estar atento(a) ao modo como a Renova/Samarco/Vale/BHP Billiton pode se aproveitar da situação em benefício próprio.

Por Anderson de Jesus e Luzia Queiroz

Com o apoio de Juliana Carvalho

Essas reuniões virtuais, para pessoas mais novas, igual no meu caso, que já trabalharam muito com isso, é um pouquinho mais tranquilo. Mas, para os meus pais ou para as pessoas de maior idade, igual o meu tio, por exemplo, pra essas pessoas que não têm muito envolvimento com a tecnologia, eles ficam muito mais dependentes de terceiros para resolver os problemas deles. Falo pelos meus pais, porque quem passou a participar mais das reuniões foi eu. Antes, eles iam presencialmente, então eles tinham poder de fala, conversa no olho a olho. Meu pai tinha como retrucar e, nessa questão de câmera, eles ficam mais retraídos. E nem todo mundo tem terceiros para ajudá-los.

Anderson de Jesus, familiar de moradores de Paracatu de Baixo

Estou fazendo o projeto [da casa] e, para que tem um pouco de noção, entende. Mas é muito confuso, tem que rever várias vezes, consertar e solicitar explicação até que esteja compreensível. Um sistema muito perigoso. Se o atendimento pessoal era estressante, o virtual é pior, pois a nossa cultura é gesticular sempre. O trabalho virtual acelera mas, para validá-lo, tem que repassar tudo e, de preferência, perto de quem domina o tipo de informação pretendida. Tanto no PIM, em reuniões de validação ou de projeto é preciso muita prudência.

Luzia Queiroz, moradora de Paracatu de Baixo

Na mente dos meus pais, eles estão conversando com uma máquina, não estão conversando com pessoas. Aí você vai perdendo a paciência. Como que luta, briga, com tecnologia? Nós estamos lidando com pessoas de várias escolaridades, com várias particularidades. Como uma pessoa, por exemplo, de 75 anos, que tem plena capacidade de participar de qualquer reunião e bater boca com qualquer um, se preciso for. Mas como que ele briga com uma máquina? Na cabeça dele, isso é muito estranho. 

Anderson de Jesus, familiar de moradores de Paracatu de Baixo

Ainda não há comentários

Os comentários estão fechados

CADASTRE-SE NA NEWSLETTER

Send this to a friend