O que fazíamos para as crianças

Por Andreia Sales, Beatriz Helena, Divino dos Passos, José Carlos da Silva, Kelly dos Santos Com apoio de Tainara Torres e Wandeir Campos

Em Gesteira, o Doze de Outubro era comemorado graças à união dos(as) moradores(as), que doavam alimentos para a realização de um almoço festivo. Com mais de uma década de tradição, o evento contava com música, brincadeiras e comidas típicas. Hoje, os(as) atingidos(as) lutam para manter a festa, mesmo com as dificuldades enfrentadas pela comunidade após o rompimento.

– Mãe, semana que vem é o dia das crianças. Tá faltando uma semana, se eu passar de porta em porta pedindo 1kg de alimento, eu consigo fazer um almoço pra elas?

– Se você tiver com essa intenção de fazer de coração, você consegue.

Criei a ideia de comemorar esse dia porque a gente mesmo nunca teve uma festa das crianças, às vezes por falta de condições dos nossos pais, não faziam nada. E aqui tem uma creche com poucas crianças. Na semana das crianças, a Prefeitura dava alguns kits pra fazer um almoço para os meninos(as) da creche e da escola. Só que, as crianças que não estavam na creche queriam participar, mas era só para creche.

– “Nossa! eu achei tão bonita a sua forma de pensar, vamos te ajudar sim.”, os vizinhos me falavam.

Uma amiga minha faz bolo e ela me disse:

– “Olha, se você conseguir as coisas do bolo eu vou e faço ele de graça”. –

– Pois eu vou conseguir! respondi à ela.

Com cinco dias, eu já tinha arrecadado tudo pra fazer o almoço e o bolo. Todo mundo ajudando com muita boa vontade na comunidade. Conseguimos fazer o almoço e o bolo. As crianças ficaram todas felizes. Chegamos a fazer o 11º ano de festa aqui. Agora, por falta de recursos, a gente não fez. Tem de três a quatro anos que não fazemos algo grande. Era uma festa boa. Ela estava virando tradição aqui em Gesteira. As crianças não deixam de me perguntar:

– Ah, tá chegando a Festa das Crianças. Vai ter?

– Vai ter um almoço, vai ter um bolo, mas não tem aquelas brincadeiras. Hoje, a gente consegue pouco, mas não deixamos passar em branco, porque as crianças também têm vontade de brincar.

Beatriz Helena, moradora de Gesteira

Como a gente brincava

Bolinha de sabão: Pegar canudo de mamona, copo d’água, sabão. Misturar a água e o sabão, colocar o canudo e assoprar.

Guerrinha de mamona: Pegar um cacho de mamona, arrancar os caroços e jogar no adversário.

Tamanco: Pegar lata de óleo ou de leite em pó e barbante. Fazer um furo na lata, passar o barbante por ele e amarrar nos pés. Depois, equilibrar-se em cima das latas.

Peteca: Pegar penas de galinhas soltas pelo galinheiro e envolvê-las em uma palha de milho ou de bananeira, usando um pedaço de chinelo velho para servir de base.

“Birosca”: Fazer uma meia-lua com as bolinhas de gude, afastar-se e tentar acertá-las.

“Bilisca”: Juntar cinco pedras na mão e jogá-las para cima. Pegar as que caíram no chão ao mesmo tempo em que joga as outras para o alto. Mais conhecida como “Cinco Marias”.

“Maré”: Riscar quadrados com um pedaço de telha no chão e pular, sem encostar nas linhas. Mais conhecido como “Amarelinha”.  

“Roubar bandeira”: Dividir as crianças em dois grupos. Uma bandeira de cada lado. O grupo tem que tentar pegar a bandeira do adversário. Quem pegar primeiro vence.

“Pique-lata”: Uma pessoa fica contando próximo à lata, enquanto as crianças se escondem. O objetivo é achar quem estiver escondido. Quando isso acontece, a pessoa tem que correr até a lata, batê-la no chão três vezes e gritar que achou. Se  não conseguir, as outras correm primeiro e se salvam. Muito parecido com o “pique-esconde”.

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