As conversas de calçada

As calçadas de Bento são uma das coisas que as crianças do subdistrito têm sentido mais falta. As várias calçadas ocupadas por Ana Luiza, Isabela, Maria Eliza, Raquel têm uma porção de histórias pra contar. As meninas, com outras crianças, trocavam segredos, conversavam, contavam piadas e faziam bagunça nesses espaços. Ainda que a tecnologia possibilite, hoje, outras formas de contato, elas afirmam que não há nada que possa substituir um cotidiano marcado pela amizade e pela cumplicidade nas calçadas de Bento. Aqui, elas relembram, entre risadas, algumas coisas que aprontaram em Bento e têm aprontado em Mariana.

Por Ana Luiza Euzébio, Isabela Raquel de Souza, Maria Eliza Alves da Silva e Raquel Luciana Felipe 

Com o apoio de Joice Valverde, Juliana Carvalho, Atineia Novais*, Giovanna Giaretta* e Lavínia Torres*

* Programa de Extensão da UFOP Sujeitos de suas histórias

Na calçada, era mais emoção. Dava pra ver as reações das pessoas [com quem estávamos conversando] ao vivo. 

Ana Luiza Euzébio, 13 anos e Raquel Luciana Felipe, 14 anos, moradoras de Bento Rodrigues

 

Cada dia era em um ponto diferente. Ou era na porta casa dela [Maria Eliza], ou na porta da minha casa, ou na porta do moço lá. Ia rodando o Bento, o Cascalho ali… Nós falávamos de um monte de coisa. Planejava pra “roubar” fruta, como que a gente ia cercar galinha… 

Maria Eliza Alves da Silva, 14 anos, e Ana Luiza Euzébio, 13 anos, moradoras de Bento Rodrigues

 

No Bento, podia contar quantas casas tinham campainha e quantas casas tinham dois andares.

Maria Eliza Alves da Silva, 14 anos, moradora de Bento Rodrigues

 

As casas que a gente via que tinha campainha, a gente ia tocando e saía correndo. As que não tinha, a gente batia palma, gritava o nome e saía correndo.

Ana Luiza Euzébio, 13 anos, moradora de Bento Rodrigues

 

Eu treinava na Chácara [Mariana], eu e Samantha. Nós estávamos jogando no time e ela morava perto da minha casa. Nós descíamos juntas todos os dias. Até um dia que eu dei ideia de tocar a campainha e saí tocando a campainha da rua inteira. 

Maria Eliza Alves da Silva, 14 anos, moradora de Bento Rodrigues

 

Nós falávamos sobre tudo. Agora, a gente não se vê, então, não tem como mais. E também não dá pra poder conversar na calçada de Mariana, porque não é seguro. É arriscado ficar ali na rua até tarde conversando.

 Isabela Raquel de Souza, 17 anos, moradora de Bento Rodrigues

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