Celebrar no nosso território

Neste mês de setembro, a fé e a união estiveram presentes na Festa do Menino Jesus, em Paracatu de Baixo, e na Festa de Nossa Senhora das Mercês, em Bento Rodrigues. Em ambas as festividades, foram celebradas missas nas igrejas tradicionais das comunidades e, depois, os fiéis seguiram em procissão carregando as imagens santas pelas ruas atingidas. Apresentações de Congado, de Folia de Reis e Associações Musicais, formados por atingidos e religiosos de outras comunidades da região, entoaram um canto de resistência e força. Ao continuarem acontecendo nos territórios atingidos, os encontros reforçam não só a manutenção da tradição religiosa, como também simbolizam pertencimento.

Por Maria da Cruz Gonçalves e Simária Quintão

Com o apoio de Joice Valverde, Juliana Carvalho e Wigde Arcangelo

As festas não são mais como antigamente, mas é muito importante voltar, porque é a nossa comunidade e queremos todo mundo unido. Antes, todos os anos, eu participava, ajudava a cozinhar. Quando estávamos indo na procissão, eu até comentei: “que saudade de quando tinha festa e a gente ficava até de tarde aqui. Depois, íamos para nossas casas, para, mais tarde, voltar. A gente ia para o bar do Carlinhos, da Tia Laura”. Hoje, acabou, temos que ir embora. 

Maria da Cruz Gonçalves, moradora de Paracatu de Baixo

A importância de nós estarmos aqui é de pertencimento. Bento é nosso e a gente quer continuar as nossas festas aqui, não tem sentido ser em outro lugar. Igual o padre falou na igreja, né: “várias formiguinhas juntas derrubam um elefante”. Nós somos as formiguinhas e a empresa é o elefante, e ela tenta nos esmagar de todas as formas. Não conseguiu e, agora, tenta tirar isso da gente. A gente ama esse lugar, vem todos os fins de semana, e é daqui que a gente encontra paz e tira força.

Simária Quintão, moradora de Bento Rodrigues

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