Contos de Paracatu

As lendas e as histórias de terror dizem muito sobre as regiões onde foram criadas. Moral, costumes e medos de um determinado grupo são expressos nesses contos e partilhados pelas gerações. É possível encontrar pessoas que dizem que esses relatos não são inventados e juram que já presenciaram alguns desses momentos sombrios. Não podemos provar o que essas pessoas dizem, mas podemos afirmar que essas histórias fazem parte da cultura das comunidades que as partilham. Os(As) estudantes da Escola Municipal de Paracatu nos contaram algumas das histórias que já ouviram sobre a localidade.

 

Por Keila de Fátima Gonçalves, Laisa Gonçalves Marcelino, Lucielly Aparecida Lopes Marcelino, Rafaela Kecia da Silva e Weuller de Sousa Cota

Com o apoio de Júlia Militão, Victória Oliveira* e Wigde Arcangelo

*Programa de extensão da UFOP “Sujeitos de suas histórias”

 

Uma visita indesejada

Minha avó me contou essas histórias há muito tempo. Uma vez, a mula sem cabeça foi até a casa dela e pôs fogo na casa da minha avó. Na época, o telhado da casa dela era de palha, não era esse telhado comum. Por causa disso, pegou fogo em tudo. Minha avó contou que a mulher que se envolve com o padre vira a mula sem cabeça. Ela me contou do caso de duas mulheres que eram apaixonadas pelo padre, elas se envolveram com ele. Uma se transformou na parte da frente do animal e a outra a parte traseira. Se isso é verdade ou não, eu não sei.  

 

A doença misteriosa

Contam que, há muito tempo, houve uma mulher em Paracatu que teve uma doença que era transmitida pelo ar, ninguém podia chegar perto dela. Os médicos decidiram que o melhor a fazer seria enterrar a mulher viva. Eles disseram, para a família, que ela não podia ficar viva, pois qualquer um poderia pegar aquela doença, que não tinha cura. Os familiares deixaram que a enterrassem viva. Colocaram uma pedra grande em cima do túmulo dela. Até hoje, a pedra está lá e não podem mexer em nada.

 

O choro do brejo

Minha avó conta que, antigamente, em Paracatu, os costumes eram muito severos, então, quando as filhas engravidavam fora do casamento e perdiam as crianças, jogavam os bebês em um brejo. Minha avó falou que pessoas escutavam choros naquele lugar durante as Quaresmas.

 

Estrela do ouro

Perto de onde eu morava, em Paracatu, viveram, antigamente, umas pessoas que tinham muito ouro, eles escondiam o ouro por lá. Em uma determinada época do ano, uma espécie de estrela fica se movendo sobre aquela região.

 

Nem tudo é o que parece 

Meu avô acordava umas cinco horas da manhã e ia moer milho para fazer fubá. Ele viu uma vela acesa descendo pelo caminho, parecia ser um homem todo de branco. Meu avô tentou acompanhar para ver o que era, mas não conseguiu descobrir, a coisa desapareceu. No outro dia, ele disse, para a minha avó, que tinha visto uma pessoa andando com uma vela acesa, minha vó disse que poderia ser alguém andando por aí. No outro dia, meu avô viu a pessoa de novo, correu para chamar a minha avó. Quando ela chegou, não tinha mais ninguém. Quando meu avô dormiu, minha avó saiu da casa e viu a pessoa vestida de branco e segurando uma vela do lado de fora, ela correu em direção à pessoa. Ela conseguiu chegar perto, era um conhecido deles que estava bêbado.

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