Casamento em roça é assim, cheio, né?

Os primeiros encontros a gente nunca esquece. Charles e Lilian guardam até as datas e os lugares. Charles é de Paracatu de Baixo e Lilian de Cláudio Manuel, mas foi em uma festa em Águas Claras que se conheceram. O namoro no banquinho em frente à casa dos pais de Charles, em Paracatu, seguiu firme, unindo as duas famílias e as comunidades. Devotos de Nossa Senhora Aparecida, casaram-se no dia seguinte às comemorações de 12 de outubro, também sob as bênçãos do padroeiro de Paracatu, Santo Antônio, o santo casamenteiro. O rompimento da barragem de Fundão, em 2015, poucos anos depois do casamento, interrompeu a obra da casa que estavam construindo, em Paracatu, e adiou o sonho de terem um(a) filho(a). Agora, enfim, o fruto desta união logo chegará para alegrar ainda mais a vida dos dois. Charles e Lilian serão papais da Lívia.

Por Charles Batista e Lilian Batista

Com o apoio de Beatriz Ribeiro, Joice Valverde e Júlia Militão

Eu sou de Paracatu de Baixo e a minha esposa, Lilian, é de Cláudio Manoel. Nós casamos em 2012 e agora vamos ser papais. 

Eu morava em Paracatu, mas trabalhava em Mariana, e conheci a Lilian em uma festa em Águas Claras, no dia 13 de novembro de 2010. Eu me interessei por ela, só que, nesse dia, a gente não conseguiu conversar, mas ela ficou sabendo que eu queria conhecer ela pessoalmente. No dia 14, a gente se encontrou e começamos a ficar. E, assim, acaba tendo ligação, porque eu já tinha estudado com a irmã dela, que era casada com meu primo. Então meio que gerou um contato mais próximo, por influência, né? As famílias se conheciam. Daí pra frente, foi encontro atrás de encontro. Eu saía de Mariana e ia atrás dela lá em Cláudio Manoel, aonde ela estivesse, e a gente encontrava. Passaram poucos dias, a gente começou a namorar sério e, em 2012, a gente ficou noivo no começo do ano e programamos o casamento para outubro. 

Eu queria casar no dia 12 de outubro, porque a gente é devoto de Nossa Senhora Aparecida, porém era em uma sexta-feira, então ficou um pouco complicado, porque sexta não é dia de fazer casamento, né? Mas a gente fez carreata dia 12, que tem todo ano, e casamos no sábado, dia 13 de outubro de 2012. 

A gente se conheceu em locais diferentes, mas, quando foi o casamento, encheu muita gente, de vários distritos, porque casamento em roça é assim, cheio, né? A gente casou em Cláudio Manoel, mas levamos toda a comunidade de Paracatu, só não foi quem não tinha condição, mas a comunidade tava em peso lá. Fora a comunidade de Pedras, Águas Claras, porque a gente convidou o máximo de pessoas que a gente podia, além da comunidade de Cláudio Manoel. Então, ou seja, reuniram-se mais ou menos uns quatro distritos. Ih, tinha muita gente! 

Histórias de família

Querendo ou não, a gente é fruto do que o pai ensina e preza, né? A gente segue a doutrina. Meus pais eram casados e, toda a vida, eu quis casar. E acaba que, quando as famílias se conhecem, uma fica sabendo informação da outra. Por exemplo, se a família de um fosse mal falada ou tivesse algum problema, gera certa discussão ou desconforto, mas, graças a Deus, a minha com a dela não teve isso. Pelo contrário, rapidamente, a gente namorou e, com dois anos, casou.

Meu pai, Jerônimo, e minha mãe, Arlinda, a história também é interessante, porque minha mãe é de Paracatu e meu pai também. E, antigamente, o pessoal casava com o próprio pessoal do lugar, não deixava pra outro. Por exemplo, em Paracatu, uma comunidade que não tem muita gente perto, acabava que, muitas vezes, as pessoas namoravam e casavam com gente do lugar mesmo. No caso do meu pai e da minha mãe, as famílias são de lá, eles casaram lá também e muita gente lá é assim, casada com gente de lá mesmo. Acaba que, em Paracatu, quem não é parente, tem parentesco longe. O primo de um é primo do outro, o outro é parente do outro. “Tudo farinha do mesmo saco.” Hoje eles têm oito filhos, eu sou o mais velho, vou fazer 31. Meu pai construiu a casinha dele no terreno que o pai dele separou pra ele, porque, antigamente, era assim. Aí ele construiu a casinha lá e casou.

Planejamentos

Poucos anos depois de casados, a gente tava pensando em ter filho. Só que aí veio o rompimento da barragem e atrapalhou o planejamento. Eu já tava construindo uma casinha lá na roça, a gente morava em Mariana e tava pensando em ter uma casinha lá, pra ter espaço pro filho da gente. Isso aí não foi possível, aí a gente adiou um pouco essa questão de ter filho.

Só que, agora, como a gente viu que as coisas estavam difíceis de resolver e ia demorar muito, ano passado, a gente planejou, organizou e pensou em tentar engravidar. Aí no final do ano, graças a Deus, deu certo e a nossa neném agora tá quase nascendo. É uma moça e vai chamar Lívia.

Charles Batista e Lilian Batista, moradores de Paracatu de Baixo e de Cláudio Manoel

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