O que é ser um atingido?

Por nós, atingidos

Com o apoio de Carlos Paranhos, Larissa Helena e Lucas de Godoy

Certa vez, Angélica Peixoto, moradora de Paracatu de Baixo, escreveu que ser atingido envolve aprendizado: “Me sinto atingida por não saber ser atingida”, refletiu a professora na edição 6 do Jornal A SIRENE.

Sua angústia diz muito dos primeiros meses que sucederam à tragédia. Afinal, quem poderia “aprender a ser atingido”, sem, de fato, sê-lo? Esse aprendizado só se dá no tempo e jamais aconteceria se não fosse a lama da Samarco ter expulsado Angélica e tantos outros de suas casas, de suas comunidades, de suas vidas de então.

Ser atingido implica entender o rompimento de modo particular. Afinal, desse ponto de vista, o maior crime socioambiental da história do Brasil é também a maior tragédia de uma vida.

Esse aprendizado do qual nos fala Angélica é construído a cada dia, por cada um, e de maneira diferente. Um saber difícil, feito das lembranças de tudo aquilo que foi perdido e de todas as incertezas em relação a um futuro que parece não chegar. Um saber que é feito na luta, na resistência, no choro e no abraço, que está nas relações que se foram e nas que vieram, na vida desfeita e nas possibilidades de recomeço.

José Honorato, 58

Por isso, talvez, atingido, mais que um conceito, seja um sentimento. Quantas respostas cabem às perguntas deixadas pela lama: O que é ser atingido? De quantas formas a lama da Samarco é capaz de atingir uma vida? Por quanto tempo?

Neste especial, trazemos algumas vozes que nos abrem perspectivas para pensar o que é ser atingido. Para isso, reunimos fragmentos que dizem sobre o significado desse termo que vem sendo construído no curso de dois longos anos.

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