Realidade de luta e resistência no oito de março em Mariana

(Foto: Larissa Pinto/Divulgação)

Por Ellen Barros e Francielle de Souza

A equipe da Cáritas que atua no Projeto de Assessoria Técnica aos Atingidos e Atingidas pela Barragem de Fundão realizou, na noite deste oito de março, uma roda de conversa sob o mote: “O que te define? – Para ser a mulher que quiser e construir a sociedade que queremos”.

O evento contou com a participação de atingidas pela barragem, assessoras da Cáritas em Mariana, “Sirenistas” – mulheres que trabalham no Jornal A Sirene e outras parceiras. Resistência. Esperança. Coragem. Ternura. Determinação. Perseverança. Fé. Empatia. Luta. Sororidade. Leveza. Paixão. Superação. Resiliência. Respeito. Estas são algumas das palavras que definem estas mulheres.

O ponto alto do encontro foram os depoimentos de quem viveu situações de extrema violência e que se viu obrigada a reinventar e fortalecer-se para lutar por seus direitos.

Isabel Mendonça, atingida de Paracatu de Cima e mobilizadora da equipe da Cáritas no cadastro fala sobre a sensação de cansaço que se abate sobre as atingidas e destaca a mudança radical sofrida por aquelas que tiveram suas casas levadas pela lama.

“As mulheres atingidas que vieram para Mariana relatam a diferença da forma de vida de onde elas moravam, no interior, e hoje morando em Mariana contam sobre a dificuldade de criar seus filhos, especialmente as filhas mulheres por causa de casos de assédio aqui na cidade. É muito triste, é triste saber disso, saber que as mulheres não são respeitadas da maneira que deveriam ser”.

Isabel Mendonça, atingida de Paracatu de Cima

O evento contou ainda com a exibição do documentário “AtingidAs”, dirigido por Daniela Cristina Felix, Miriã Cristina de Souza Bonifácio e Larissa Helena Pereira de Oliveira. O curta metragem apresenta três histórias emblemáticas de atingidas pela barragem, Maria Aparecida Lanna; Maria do Carmo e Marlene Reis. Marlene participou da roda de conversa e, em seu relato, conta das dificuldades que passa por participar da comissão de atingidos e afirma que não sabia ser tão forte e corajosa como percebeu ser quando viu que não teria alternativa a não ser lutar pela reparação justa para a sua família e para todos os atingidos e atingidas pela barragem.

Apesar da dor pelas perdas, as mulheres contam sobre seus modos de resistência e estratégias de fortalecimento. Ana Paula Alves, coordenadora do processo de cadastramento afirma que  “as violações de direitos humanos nesse crime foram muitas, mas na vida das mulheres teve um efeito devastador que somente elas sabem descrever”.

Esta foi a primeira vez que Isabel  Mendonça participou de uma roda de conversa feminista, a mobilizadora concluiu que o evento ajudou a renovar as energias. “Foi muito receptivo o encontro, a gente se sentiu assim: enquanto umas estavam dando colo, outras estavam recebendo. Acho que todo mundo o tempo todo se sentiu no colo de alguém e alguém também se sentiu no nosso colo”.

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