A loucura

Por Sérgio Papagaio

Tem gente louca, dentro do poço.

Tem barro quante, perto da gente, Boate Kiss fez esquentar.

Tem gente louca, e não é pouca.

É barro doente dentro da gente, quer me levar.

Quero voltar, sua casa não dá pra morar, aqui não quero ficar, tome esta pílula pra melhorar. A minha casa não está lá.

Minha menina na boate, Kiss dançar, debaixo da lama foi morar. Me dê outra pílula pra eu tomar. Cê tem alguma pra eu não lembra?

Tem gente louca, pra sua vila reassentar, em Mariana, em Barra Longa, na serra do mar, em todo lugar.

A minha vida, não foi aqui que eu quis plantar.

Quero voltar, buscar a vida que ficou lá.

Tornei voltar, e a vida minha não tava lá.

Achei uma chave, e esta vida vou desligar.

Não. Existe uma meta, continuar… Cadê Maria, não quer falar, fechou a vida, e a minha morte ela abrirá.

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*Recitado durante o 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, da Fiocruz, no Rio de Janeiro.

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