Ciranda: brincar, aprender e lutar por direitos

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Ciranda: brincar, aprender e lutar por direitos
Crianças participam de oficinas sócio-educativas

(Foto: Leandro Raggi)

Ciranda: brincar, aprender e lutar por direitos
Brincadeiras como forma de conscientização

(Foto: Leandro Raggi)

É necessário reconhecer as crianças como sujeitos no mundo, como sujeitos que sentem e vivenciam, à sua maneira, o que acontece ao seu redor. O crime que ocorreu no dia 5 de novembro de 2015, e que continua na vida dos(as) atingidos(as) ao longo da Bacia, não deixou de fora as crianças. Elas sentem os impactos de tudo isso e absorvem as dores e os sofrimentos causados pelos danos. Portanto, é importante acompanhar e entender de que forma elas foram atingidas.

A pauta de “Reivindicações de Barra Longa” deixa bem claro que são consideradas atingidas as crianças que estão em fase de formação e que vivenciam as consequências do crime. Por isso, com suas experiências de vida, seu jeito de lidar com o mundo e seus olhos ainda inocentes, elas já estão participando da organização e da luta por direitos. Elas já produzem mudanças no mundo em que vivem e influenciam outras pessoas.

Para que as crianças não fiquem de fora de toda a luta dos atingidos e atingidas de Barra Longa, são organizadas cirandas dentro dos grupos de base. A ciranda se propõe a ser um espaço para garantir a participação dos(as) atingidos(as), principalmente das mulheres, pois sabemos que, na sociedade em que vivemos, são elas que, na maioria das vezes, ficam responsáveis pela tarefa do cuidado com as crianças e também com a casa, com os doentes e com os idosos. São as mulheres que mais participam dos espaços de luta e de reivindicação. Garantir as atividades da ciranda significa assegurar a participação das mulheres. E isso é fundamental para o funcionamento dos espaços organizativos e para seguir com a luta.

“Lá vai o menino rodando e cantando,
Cantigas que façam o mundo mais manso,
Cantigas que façam a vida mais justa,
Cantigas que façam os homens mais crianças.”

Thiago de Melo

Além de ser um lugar de “cuidado” com as crianças enquanto seus pais, mães, cuidadores estão participando das “coisas de adulto”, ou seja, das reuniões dos grupos de base, assembleias e dos encontros, as cirandas são espaços educativos. Na ciranda, as crianças atingidas podem, de maneira lúdica, por meio de brincadeiras, canções e histórias, pensar sobre diversas temáticas que estão sendo trabalhadas pelos adultos. É um espaço de promoção e de constituição de valores solidários e coletivos, pois elas podem compartilhar suas experiências de vida e construir laços de solidariedade.

“Quando não tem ciranda, a gente fica fazendo bagunça porque não temos paciência para as reuniões de ‘gente grande’. Tem que ter ciranda. Aí os pais não precisam se preocupar em olhar a gente, podem ficar prestando atenção às reuniões. A ciranda é muito legal. Lá, a gente desenha a igreja que tinha em Gesteira antes da lama e faz brincadeiras. Na ciranda, a gente tenta entender o que nossos pais estão conversando na reunião através de desenho, porque assim temos mais paciência e fica mais legal.”

Miguel, Ingrid, Caique e Waslan, crianças atingidas de Gesteira

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