No dia 25 de março, a mineradora Vale apresentou propostas que buscam solucionar o risco de rompimento da Barragem Sul Superior, da Mina Gongo Soco, que se encontra em nível de emergência 3, desde o dia 22 de março. A proposta que está sendo colocada em pauta para os(as) atingidos(as) da comunidade é a construção de um muro de contenção que, supostamente, seguraria 9 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério em caso de rompimento.

José Flávio Júnior, Coordenador Municipal da Defesa Civil de Barão de Cocais, indica o local onde a Vale pretende construir o muro de contenção de rejeitos da mina de Gongo Soco.

O muro seria construído a seis quilômetros de distância da barragem e, futuramente, com o processo que a empresa chama de descomissionamento, as comunidades de Socorro, Piteira e Tabuleiro seriam inundadas pelo rejeito. A Vale defende que levaria um ano para construir o muro e três anos para descomissionar a Barragem Sul Superior. Após o descomissionamento, a empresa afirma que demoliria o muro de contenção e, só então, começaria o processo de reassentamento, intitulado, por eles, de “revitalização”, um processo que deve demorar mais três anos e que, até o momento, não está sendo discutido com as comunidades.

A Vale quer dividir o pessoal pra que eles briguem.Fernanda, moradora de Tabuleiro

Segundo eles, não podem mexer na estrutura da barragem porque ela tá abalada. Vão construir um muro que vai conter essa barragem. Vão construir outra barragem em cima do pessoal. Lá em Brumadinho nem viaduto, nem máquina de ferro conteve, um muro vai? Eu não acredito. Você vai gastar 500 milhões para, depois, jogar ele no chão? Empresa joga para perder, gente? Ela só visa lucro. Essa Vale mente demais.

Maria Carolina Gonçalves, moradora da Estrada do Gongo Soco


Construir diques abaixo das barragens foi a saída que a Samarco encontrou em Mariana para barrar a descida de rejeitos para os rios. Essa é a justificativa que ela apresenta, mas os rejeitos continuam descendo e contaminando o meio ambiente e o ser humano. Os diques S3 e S4 alagaram as terras e as áreas dos atingidos. Em Mariana, a experiência é essa, os diques não resolvem o problema e são formas de domínio do território por parte da empresa. São construídos mais para a empresa do que para proteger e trazer garantias à população. Em Barão de Cocais, esse pode ser o mesmo objetivo. É preciso que as famílias tenham informação de confiança e independente para opinar. São elas que devem dizer o que querem que seja feito ou não em suas terras.

Letícia Oliveira, coordenadora do Movimento Atingidos por Barragens (MAB)

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