Editorial (fevereiro/2018)

O Jornal A Sirene chega, neste dia 5 de fevereiro de 2018, comemorando dois anos de publicação. Desde a primeira edição (a já amarelada capa número zero, com os moradores de Bento Rodrigues indo pela primeira vez ao terreno da Lavoura), o “Projeto A Sirene” buscava resolver nossas questões ligadas à comunicação , de forma que, nós, atingidos e atingidas pela Barragem de Fundão nos sentíssemos representados midiaticamente e, a partir disso, pudéssemos ter melhores condições de lutar pelos nossos direitos.

Era imprescindível, então, para garantir isso, que fossemos os narradores das nossas próprias notícias. Mas como encontrar e construir um outro jornalismo possível para nós? Uma forma de comunicação a favor das nossas causas, direitos e memórias? Qual seria a melhor maneira de reportar tudo o que nos aconteceu daquele dia 5 de novembro em diante?

Nesses 24 meses contamos, talvez, sobre os acontecimentos mais tristes de nossas vidas. Testemunhamos sobre nós mesmos, denunciamos os abusos sofridos e as lutas diárias, mantivemos a fé. Hoje, mesmo em condições que ainda nos exigem atenção e força, como a construção de diretrizes para o nosso reassentamento e a fase de preenchimento do cadastro (registrando as perdas e danos dos atingidos de Mariana), conseguimos parar por um momento e celebrar o fato de termos mantido esta sirene viva, pois, em se tratando de um cotidiano difícil, como tem sido o nosso, um instrumento de poder, de voz, de luz e de direitos como esse é uma grande conquista.

Tomemos como exemplo os personagens que revisitamos nesta edição, e que, com relatos marcantes em publicações anteriores, ainda tinham muito o que dizer. Vejamos ainda a comunicação dos atingidos e atingidas de Barra Longa, em seus grupos de base, construindo reivindicações em forma de pauta. E, especialmente, o pedido urgente que fazemos pela segurança de nossas comunidades.

A capa deste mês é, então, fruto da reflexão que fazemos sobre os canais de comunicação e os interesses que eles têm sobre nós, ainda tentando entender o quanto nos representam e de que forma somos mostrados. Quando trazemos a realidade para o nosso meio, a tevê desligada simboliza a ausência de uma cobertura justa; ao mesmo passo, o personagem não fica desamparado, pela razão de ter um rádio (outros meios) como companheiro. Ressaltamos, assim, a importância que vemos no Jornalismo, principalmente neste que o A SIRENE se propõe, de forma independente e desvinculada de qualquer empresa. Enfatizamos o compromisso único deste periódico de ecoar a voz dos atingidos e tudo o que, desta vida para frente, importar. PARA NÃO ESQUECER.

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