Editorial (outubro/2018)

 

(Foto de capa: Lucas de Godoy/Voal Fotografia)

O que nós, adultos, podemos aprender com as crianças? O que será que aqueles pequeninos e pequeninas podem nos ensinar com suas experiências e descobertas vividas cotidianamente? Será que, mesmo na correria do dia a dia, temos parado para observar como eles(as) têm vivido e conhecido coisas novas? E nós, o que temos aprendido com os mais jovens?

Neste mês, o Jornal A SIRENE traz uma edição especial para o Dia das Crianças, momento em que paramos nossas “coisas de adultos” para refletir sobre as consequências trazidas pelo desastre-crime na perspectiva da infância. Ao resgatar memórias e registrar as histórias de como era ser criança lá, nas comunidades atingidas, reafirmamos que a lama trouxe consequências irreparáveis para nós e que nenhuma quantia é capaz de compensar.

Mas, para conquistar uma reparação justa, sabemos que a luta exige tempo, que tem sido gasto com inúmeras reuniões, audiências e assembleias. Nesse processo, é um desafio nos adaptar à nova rotina sem perder o cuidado e a atenção com as nossas crianças. Por isso, temos buscado incluí-las nas discussões, por meio de atividades educativas, como as cirandas, para ouvi-las e entender como foram atingidas, e incentivá-las, desde já, a reivindicar seus direitos.

Nesse sentido, priorizando a luta coletiva, trouxemos também, como ensaio fotográfico, o resultado da experiência de alguns(as) alunos(as) das escolas de Paracatu e de Bento Rodrigues que sujaram suas mãos de tinta e deixaram suas marcas em uma folha em branco. De alguma forma, o exercício simboliza nosso período de infância e, ao mesmo tempo, nos motiva a caminhar coletivamente. A imagem da folha que, aos poucos, é preenchida com as mãos coloridas das crianças é reflexo de nossa trajetória, pois temos, há dois anos e 11 meses, “pintado” novas páginas das nossas histórias, mesmo que seja um processo doloroso para nós.

É assim, inspirados pelos mais novos, que, muitas vezes, abastecemos nossas forças para lutar, encontrando, nos “superpoderes” que eles nos transmitem, o apoio para reconstruir as nossas vidas. Mesmo com as dificuldades encontradas ao longo do caminho, temos carregado conosco a esperança de um futuro melhor para nós e para as nossas crianças. E é essa esperança que tem nos ajudado a alcançar nossos direitos. Entre eles, a mais nova conquista de Paracatu: a aprovação do projeto de lei que permite avançar as obras de reconstrução da comunidade.

Assim, pouco a pouco, sem importar a idade que temos, estamos aprendendo a lutar por nossos direitos e a mirar o futuro com o olhar de uma criança que cai, pode até se machucar, mas sempre se levanta.

 

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