Editorial (junho/2019)

Por Mônica Santos, moradora de Bento Rodrigues

No dia 5 deste mês, completa-se 3 anos e 7 meses do maior crime socioambiental que impactou diferentes áreas e modos de vida. Durante esse tempo, a Fundação Renova/empresas busca esconder o crime nos territórios atingidos e trazer as pessoas para mais perto dos interesses dela. Não é uma data de comemoração, mas, sim, de repensar a forma de continuar lutando por justiça e de buscar ressarcimento justo e integral no processo de reparação.

Na capa desta edição, trazemos a foto de Valéria, moradora de Bento e jogadora do time de futsal Unidos de Bento Rodrigues (U.B.R.), para representar a união que tínhamos lá e que trouxemos para Mariana, mas, agora, de uma forma diferente. Hoje, o time abraça pessoas de outras comunidades, como Paracatu, e serve de inspiração para a nossa batalha, não só dentro da quadra, mas também no nosso dia a dia. Jogar futebol foi uma forma que encontramos de superação e de trazer para cá o que fazíamos lá.

Foto de capa: Tainara Torres/Jornal A Sirene

Desde o dia 5 de novembro de 2015, viemos pedindo para que o crime não se repetisse. Pelos últimos acontecimentos, foi tudo em vão. A cada dia, fica mais claro que as barragens rompem visando o grande interesse das empresas, que é sempre o lucro falando mais alto. Quantas vidas mais precisamos perder para que a justiça faça valer a lei? Precisamos da mineração com responsabilidade, não da mineração que mata.

Tivemos uma audiência muito tensa, como tantas outras. Nela, ficou claro que não há uma igualdade entre as partes, o que deixa a luta mais angustiante a cada dia. É preciso que as pessoas que têm o poder de decidir visitem os territórios atingidos para que possam sentir na pele o que vivemos e, assim, deliberar sobre nossas vidas conhecendo o que passamos e sabendo o que realmente é melhor para nós. Ver de longe é diferente de vivenciar o que é ser atingido(a). Esse é o momento de estarmos mais unidos e repensarmos estratégias para as próximas audiências, fazendo com que nenhum(a) atingido(a) perca seus direitos.

É preciso deixar evidente que possuímos muitos direitos, porém, temos de estar alinhados, falando a mesma língua, para que, assim, possamos conquistá-los. Precisamos construir caminhos para não deixar que as empresas e terceiros estabeleçam o valor daquilo que é nosso, mesmo que existam as compensações. Não podemos permitir que quem cometeu o crime diga qual sanção eles mesmos devem cumprir.

No mês anterior, fizemos várias manifestações que servem não só para cobrar dos responsáveis, como também para não deixar cair no esquecimento, e fazer com que haja uma interação entre atingidos(as) e comunidade, para mostrar que, por meio da união e do direito de manifestar, possamos, juntos, ir mais longe lutando por dias melhores para todos.

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