Editorial (Julho/2019)

Trazemos, nesta capa, a nossa edição de número zero. Nela, vemos os(as) atingidos(as) de Bento Rodrigues na primeira visita à Lavoura, terreno do reassentamento. A foto representa as dores, as lutas e a esperança das pessoas atingidas pelo crime da  Samarco/Vale/BHP. Começava ali também a trajetória do Jornal A Sirene. Um projeto que acredita na comunicação como direito, e uma potente ferramenta de denúncia e de memória. Desde fevereiro de 2016, nossas páginas soam as vozes dos(as) atingidos(as), mas não sabemos quando – e se – publicaremos uma nova edição. Neste momento de tantas incertezas, precisamos lembrar onde tudo começou, seus motivos, suas aspirações e a importância deste projeto para cada um de nós. O editorial desta edição traz uma carta para refletirmos sobre aquilo que sentiremos falta, mas jamais esqueceremos.

 

Ao inesquecível

 

Não vou me esquecer da lama.

Não vou me esquecer do crime.

Não vou me esquecer da dor.

 

Não vou me esquecer da justiça.

Não vou me esquecer da força.

Não vou me esquecer da luta.

 

Não vou me esquecer do medo.

Não vou me esquecer da perda.

Não vou me esquecer do tempo longe de casa.

 

Não vou me esquecer da igreja.

Não vou me esquecer da praça.

Não vou me esquecer da escola.

 

Não vou me esquecer das árvores.

Não vou me esquecer do céu.

Não vou me esquecer do rio.

 

Não vou me esquecer do sonho.

Não vou me esquecer da esperança.

Não vou me esquecer da fé.

 

Não vou me esquecer das reuniões.

Não vou me esquecer das audiências.

Não vou me esquecer da espera.

 

Não vou me esquecer da solidão.

Não vou me esquecer da tristeza.

Não vou me esquecer da saudade.

 

Não vou me esquecer da renúncia.

Não vou me esquecer da denúncia.

Não vou me esquecer do direito violado.

 

Não vou me esquecer da palavra.

Não vou me esquecer da voz.

Não vou me esquecer do Jornal A Sirene.

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