Editorial (Dezembro/2019)

Desde a nossa edição zero, publicada em fevereiro de 2016, evidenciamos a preocupação dos(as) atingidos(as) com a toxicidade da lama de rejeitos, a contaminação das comunidades e as possíveis consequências que o crime das empresas mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton trariam às diversas formas de vida. No entanto, somente após quase quatro anos do crime e, com forte pressão da mídia, as pesquisas atestaram as incertezas em relação à saúde dos(as) atingidos(as). Ao longo de toda a bacia do rio Doce, diversas pessoas carregam o laudo médico da contaminação. 

Os estudos comprovam que o ar e o solo dos territórios atingidos estão contaminados por metais pesados, como cádmio, chumbo, cobre, zinco e níquel, que podem ser altamente prejudiciais à saúde. Além disso, algumas pesquisas independentes citam, entre diversas questões, a relação da contaminação com os danos ao meio ambiente, aos animais, à população, o que inclui possíveis problemas de fertilidade. Vale ressaltar que a Fundação Renova/Samarco, Vale e BHP Billiton e o Governo do Estado de Minas Gerais tinham conhecimento do resultado dos exames meses antes da divulgação e, até hoje, a empresa não se pronunciou sobre o assunto. 

Nesta edição, o Jornal A SIRENE aborda os resultados desses exames e diversas denúncias de atingidos(as) que vivem, trabalham e garantem o seu sustento em territórios contaminados. A vida dessas pessoas segue em ambientes completamente hostis à vida. As mineradoras criminosas insistem em violar o direito à saúde, previsto na Constituição Federal. 

Mas não é apenas esse direito que a Fundação Renova/Samarco, Vale e BHP Billiton têm negligenciado. Trazemos, também, nesta edição, a defesa da matriz de danos produzida pelos(as) atingidos(as) em busca da reparação justa dos danos causados pelo crime e a questão da demissão dos arquitetos da empresa J+T, que tem gerado cada vez mais incertezas em relação ao direito à moradia. 

Apesar disso, as comunidades atingidas buscam forças para seguir resistindo. O IV Encontro Ancestral, tema do ensaio de fotos desta edição, reuniu diversas culturas para pensar a articulação em prol da regeneração do rio Doce, na comunidade de Areal, no Espírito Santo. Foram momentos de resgate das origens dessas comunidades que se reuniram em oficinas e rodas de conversa. 

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