Editorial (Janeiro/2020)

Os(As) atingidos(as) pelo crime cometido pelas empresas mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton lidam, há quatro anos, com grandes mudanças estruturais, físicas e psicológicas em suas vidas. Obrigados(as) a se encaixarem em uma rotina exaustiva de reuniões, audiências, conversas, preenchimento de documentos, formulários, encontros, manifestos e a luta diária em busca da reparação, o cotidiano se torna cada vez mais duro. Como se não bastasse, a comunidade atingida ainda enfrenta casos de racismo, de perseguição e de discriminação. 

Na matéria especial deste mês, trazemos alguns depoimentos da Audiência Pública que aconteceu em novembro, em Barra Longa, em que os(as) atingidos(as) denunciaram a perseguição política aos militantes, racismo institucional e discriminação por parte da Fundação Renova/Samarco. Nas denúncias, fica evidente que o processo de reparação se dá de forma desigual e que a população negra atingida e dos bairros periféricos (onde a lama de rejeito foi depositada) está desassistida, sem auxílio financeiro, sem o conserto de suas casas e sem direito de escolha. Além disso, nos questionários de visita da empresa criminosa, a Renova questiona a posição política dos(as) atingidos(as). A troco do quê?

Também trazemos, nesta edição, uma segunda parte da matéria sobre a toxicidade da lama de rejeitos e a contaminação dos territórios atingidos. As perguntas que ficam para todos nós é: e agora? Para onde iremos? Após a divulgação dos estudos, ainda não é possível saber ao certo qual caminho seguir. Infelizmente, a certeza que os(as) atingidos(as) carregam é a de que sua saúde está em risco. 

É preciso lembrar que os(as) atingidos(as) são atingidos(as) porque o rejeito percorreu toda a bacia do rio Doce e ainda gera inúmeras consequências à vida em dezenas de territórios. A Fundação Renova/Samarco se aproveita de manobras judiciais para atuar de forma negligente e prejudicial às comunidades. 

Diante de todas essas questões, é preciso continuar na luta. É preciso abraçar aquilo que traz esperança, como o time União São Bento, de Bento Rodrigues. Nesta edição, o técnico Onésio conta um pouco das dificuldades enfrentadas pelo time com a mudança para Mariana e as suas expectativas em relação ao futuro, quando o reassentamento de Bento estiver pronto.

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