Editorial (Fevereiro/2020)

Neste mês de fevereiro, o Jornal A SIRENE completa quatro anos. Datas como essa costumam ser festivas, no entanto, o motivo do nosso nascimento é um infeliz crime cometido pela Samarco, pela Vale e pela BHP Billiton. É por isso que a continuidade da nossa existência deve ser marcada, pois o nosso projeto resiste e faz frente às narrativas das mineradoras, que, com o lucro de uma exploração irresponsável, pagam anúncios publicitários e matérias em jornais na tentativa de limpar suas imagens.

Para essa edição, fomos até Brumadinho, nos atos de um ano de mais um crime da Vale, para entender as transformações ocorridas naquele território atingido. Na matéria especial, passamos por quatro temas: “O dia”, “As perdas”, “As mudanças” e “Hoje”. A partir deles, tentamos entender as semelhanças e as diferenças dos processos do crime em Mariana e em Brumadinho. Embora cada região tenha as suas questões específicas, há muito em comum na forma como as mineradoras atuam. 

Durante quatro anos, gritamos “para que não se repita”. Mas se repetiu. Assim, o Jornal A SIRENE se faz necessário para não se esquecer de Mariana e Brumadinho. Tampouco das cidades que vivem com o fantasma do medo de se tornarem vítimas de mais um crime. E nem da dependência financeira da mineração por parte de Minas Gerais, o que faz necessário uma maior vigilância da relação entre Estado e empresas. 

É essa a diferença do Jornal A SIRENE em relação a outros meios: nascemos com o intuito de sermos um veículo de comunicação dos(as) atingidos(as), feito para, por e pelos(as) atingidos(as). Nosso jornalismo é praticado lado a lado dos(as) atingidos(as). Refutamos as respostas protocolares das mineradoras, pois nosso convívio com as vítimas do crime apura que essas respostas funcionam como mera publicidade. Dessa forma, percebemos que o jornalismo tradicional deixa brechas na cobertura dos crimes cometidos pelas mineradoras. Assim, o jornalismo local e comunitário se faz necessário e precisa ser fortalecido.

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