Editorial (Março/2020)

Durante o último ano, acompanhamos a luta pela legitimidade da Matriz de Danos com valores justos e contrários aos que a Renova (Samarco/Vale/BHP Billiton) tenta impor. Neste mês de março, o Jornal A SIRENE atualiza mais um importante passo conquistado pela resistência dos(as) atingidos(as). 

A Matriz foi construída pelos(as) atingidos(as) de Mariana, com o apoio da Assessoria Técnica da Cáritas e em parceria com a UFMG e a UFRRJ, porém, após o recurso pedido pela Samarco, Vale e BHP Billiton, o pagamento para liberação segue bloqueado. O documento serve de contraponto aos valores de reparação apresentados pela Renova, a partir das perdas materiais e imateriais declaradas no processo do Cadastro. Afinal, durante esses quatro anos, os(as) atingidos(as) pelo crime das mineradoras já entenderam, das piores formas, que uma indenização justa não irá partir daqueles que lhes causaram tantos danos, sem que haja pressão e participação efetiva de quem conhece a própria história. Foi com esse objetivo que os(as) atingidos(as) manifestaram a importância da Matriz em frente ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais, onde desembargadores da 2ª Câmara Cível decidiram pelo direito de utilizar os parâmetros da Matriz de Danos.

A decisão marca algo que a Renova não queria: abre precedente para que a medida seja implementada nos demais territórios atingidos ao longo da bacia do rio Doce. E mais, o reconhecimento dos(as) atingidos(as) como parte indispensável nas decisões do processo serve de alerta para resistir às arbitrariedades das empresas e do poder público. 

 Ao contrário, as tentativas de negar a participação dos(as) atingidos(as) seguem os silenciando no processo em Barra Longa. Os acordos que, antes aconteciam no Comitê Interfederativo (CIF), com a presença dos(as) atingidos(as), agora, aguardam o veredito do juiz. Enquanto isso, em Mariana, moradores de Pedras paralisam a estrada para que a Renova ouça, de uma vez por todas, o grito por atenção às reivindicações da comunidade. 

Nesta edição, mostramos que, a cada passo dessa luta, os(as) atingidos(as) seguem de braços dados, seja para aguardar as conquistas ou para brigar por elas.

Ainda não há comentários

Os comentários estão fechados

CADASTRE-SE NA NEWSLETTER

Send this to a friend