Editorial (Abril/2020)

A vida acontece sem aviso prévio. Por vezes, somos tomados de susto e, em pouco tempo, toda a nossa vida precisa se adequar a uma situação totalmente nova. Os(As) atingidos(as) experimentaram essa sensação, da forma mais amarga possível, no rompimento da barragem de Fundão, controlada pela Samarco/Vale/BHP Billiton. Desde então, todos os esforços dos(as) atingidos(as) passaram a ser pela reparação integral das suas perdas. 

Mais de quatro anos depois de iniciar esse processo de luta, fomos atravessados por notícias de uma nova doença que chegou ao Brasil, com um nível alto de transmissão. É a Covid-19, uma doença provocada por um novo tipo de coronavírus, que se espalhou rapidamente pelo planeta e se transformou em pandemia. Repentinamente, nos vimos obrigados a pensar em como agir numa situação totalmente nova em nossa história. 

Diferentemente do criminoso rompimento da barragem, não podemos culpar ou responsabilizar instituições e pessoas pelo surgimento da nova doença. Mas devemos exigir que atitudes para conter a disseminação sejam tomadas e colaborar com as medidas já impostas. 

Não é um momento fácil. Estamos cercados de dúvidas e incertezas. Devemos pensar em nossa saúde e na do próximo, e isso exige algumas adaptações. A equipe do Jornal A SIRENE tem trabalhado de suas casas e todas as entrevistas são feitas, agora, por telefone. A SIRENE possui um formato impresso muito típico e essa característica ajudou a nossa disseminação tanto nas comunidades atingidas quanto fora delas. No entanto, o jornal terá apenas a versão digital enquanto a recomendação dos órgãos de saúde for o distanciamento social. Isso é para diminuir o contato durante a distribuição e proteger, assim, a saúde de todos(as). 

Mesmo com esses ajustes, o Jornal A SIRENE continuará sendo espaço de informação, denúncia e memória dos(as) atingidos(as). Para isso, pedimos, mais do que nunca, o apoio dos(as) atingidos(as) para a produção, agora remota, do jornal, pois a luta pela reparação integral pode até ter de se adaptar a esse novo contexto, mas ela não irá parar. Continuaremos seguindo juntos.  

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