Editorial (Novembro/2020)

Por Genival Pascoal

Neste 5 de novembro, completam cinco anos do crime da Samarco, da Vale e da BHP Billiton, em Mariana. São cinco anos em que as marcas do crime são reforçadas. São cinco anos de impunidade e sem nossas casas restituídas. É muito tempo vivendo de favor e sendo julgados por pessoas que também se sentem prejudicadas pelo crime e que não sabem o que era a nossa vida antes dessa tragédia. Quando vivíamos tranquilos em nossa própria terra, não dependíamos de mineradoras para sobreviver.

Nos reassentamentos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, todo o processo de construção de diretrizes de reassentamento, que foram homologadas pela juíza, está sendo desconsiderado pelas mineradoras. Já sobre o reassentamento de Gesteira, pouca coisa andou.

Até hoje, não há uma ação por parte da Renova que nos assegure que teremos nossos modos de vida de volta nos reassentamentos. Primeiro, vamos ter de pagar água para uso doméstico, o que não fazíamos em nossas terras de origem. Segundo,  além de pagar água potável para criação e irrigação, não estão nos restituindo nossas terras com os mesmos modos de usos anteriores. Toda a conversa da empresa em relação a esses problemas é voltada para o dinheiro, deixando-nos sem opção de escolha. Como se o dinheiro comprasse tudo.

Desse jeito, continua o monopólio capitalista que vai só destruindo comunidades, como Brumadinho, Barão de Cocais e Antônio Pereira. As empresas vão oferecendo o que acham que vale a vida e as tradições locais. Na bacia do rio Doce, a Renova, criada para reparar os danos, tenta boicotar os direitos dos(as) atingidos(as).

Como se tudo isso não bastasse, no início do ano, veio a pandemia da Covid-19. Ficamos presos em casas que não são as nossas. E a Renova se aproveita dessa situação para agendar reuniões por aplicativos, o meio mais fácil para ela ditar suas regras de reparação. Além de ficarmos reféns da Renova, ainda temos de contratar serviços de internet. A qualidade das conexões que podemos arcar nem sempre é boa. Continuamos nos reunindo por videoconferências na esperança de que a pandemia acabe e que voltemos a nos encontrar de novo, cara a cara, para ter poder de decisão.

Nesses cinco anos, poucas coisas foram feitas para que fossemos reparados integralmente. A nós, resta buscarmos forças para continuarmos lutando pelos nossos direitos. 

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