Editorial (Janeiro/2021)

O ano de 2021 chegou e trouxe para mais perto o prazo de entrega do reassentamento de Bento Rodrigues e de Paracatu de Baixo: 27 de fevereiro. Apesar disso, uma série de dúvidas e receios surgem em relação ao cumprimento do acordo. No dia 4 de dezembro de 2020, a juíza Marcela Decat esteve nas obras do novo Bento Rodrigues, a convite da Renova/Samarco/Vale/BHP Billiton do Brasil. A visita também contou com a presença da Comissão de Atingidos pela Barragem de Fundão (CABF), da Assessoria Técnica Cáritas e do promotor Guilherme Meneghin. Os(As) atingidos(as) puderam expor para a juíza seus anseios e suas críticas em relação ao andamento das construções e esperam que esses apontamentos sejam levados em consideração nas próximas audiências

O encontro não garante a agilidade nas obras ou o cumprimento da data, mas permitiu que os(as) atingidos(as) mostrassem suas perspectivas sobre o processo. Muitas dúvidas e críticas ainda resistem. No entanto, foi possível mostrar que, para além de moradias, o reassentamento envolve as histórias das comunidades. A frieza exigida nas audiências torna difícil alcançar essa sensibilidade. São histórias como a de Cleinice Rezende de Sá, contada nesta edição, que se mudou para Bento e foi abraçada pela comunidade, mas que, após o rompimento, retornou para a capital.

Nessa edição, falamos de como, após o 5 de novembro de 2015, o transporte público das comunidades rurais atingidas piorou. A locomoção, que deveria ser tratada como um direito, fica nas mãos dos interesses privados de empresas. Mostramos também como pessoas que não são atingidas tiveram suas vidas afetadas pelo crime. É o caso de José João Borges, que passou a trabalhar para uma terceirizada da Samarco, após o rompimento da barragem. A empresa parou de prestar serviço para a mineradora e deixou José sem receber o que deveria. 

São inúmeros os problemas causados pelas mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton do Brasil. Problemas que vêm se agravando com o tempo, quando deveria ser o contrário. Que, neste ano de 2021, a força das comunidades atingidas seja multiplicada e que as pessoas atingidas possam, enfim, vislumbrar um futuro possível, no qual a justiça será feita e as famílias serão reassentadas e respeitadas em seu mais profundo trauma causado pelo crime do rompimento da barragem de Fundão.

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