Editorial (Fevereiro/2021)

O Jornal A SIRENE completa cinco anos neste mês de fevereiro. Nos questionamos se é possível comemorar essa data, já que o motivo da nossa existência nasce da ganância das mineradoras que esmagam vidas e direitos. Desde fevereiro de 2016, somos uma voz contrária às propagandas das mineradoras e da Renova. São cinco anos trazendo denúncias e preservando memórias das comunidades atingidas.

Revisitamos as nossas primeiras edições no intuito de perceber as transformações ocorridas ao longo do tempo. Pautas levantadas por atingidos(as) naquela época ainda são repetidas hoje. É o caso dos(as) moradores(as) das comunidades rurais, como a de Pedras, que ainda têm problemas com suas plantações e seus animais, além de não terem sido reassentados(as) e/ou indenizados(as).

No aspecto cultural, alguns problemas também se repetem. As igrejas, para além de símbolos religiosos, são espaços de convivência social, a vida das comunidades atingidas se organiza em torno delas. O cuidado com esses lugares é uma demanda antiga dos(as) atingidos(as), mas, ainda hoje, enfrentam problemas até mesmo para velar seus entes queridos.

Além disso, alguns problemas antigos ganham novas caras com a pandemia de Covid-19. Os times de futebol das comunidades atingidas enfrentam desafios desde o rompimento da barragem. A adaptação dos(as) atletas na cidade, a questão dos espaços de treino e do suporte financeiro foram uma constante preocupação das equipes nos últimos anos. Agora, o novo coronavírus traz outros desafios para o esporte. 

Também trouxemos, nesta edição, o relato de Rejane Fernandes Reis, moradora da comunidade de Pires, em Brumadinho. Ela nos conta sobre como têm sido esses últimos dois anos após o rompimento da barragem de Córrego do Feijão. É preciso manter a memória viva para que esses crimes não sejam banalizados.

O slogan do Jornal A SIRENE é “para não esquecer”. É esse o lema que orienta o nosso trabalho. Se há algo do qual possamos nos orgulhar nesse aniversário de cinco anos é o nosso compromisso com a comunicação popular. Acreditamos que a história precisa ouvir o lado das vítimas dos crimes cometidos pelas mineradoras. O nosso jornalismo busca isso.  

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