Editorial (Abril/2021)

Há mais de cinco anos, as pessoas atingidas são obrigadas a viver com o descaso perante suas lutas, suas dores e seus anseios. A espera para irem morar no reassentamento só se arrasta. A expectativa era de que os edifícios de serviços – como a escola e o posto de saúde – fossem inaugurados com a entrega das casas. Pega de surpresa, no entanto, a comunidade de Bento Rodrigues descobriu que o posto de saúde do território já havia sido inaugurado, sem a presença dos(as) moradores(as). Na capa, Cláudia de Fátima Alves, moradora de Bento Rodrigues, observa pela janela o lado interior do posto de saúde. 

Entre uma série de negligências, esse é apenas mais um dos descasos da Renova com as comunidades atingidas. A falta de efetividade da Renova nas ações de reparação e compensação resultou no pedido de extinção da empresa por parte do Ministério Público de Minas Gerais. Trazemos, nesta edição, os desdobramentos dessa Ação Civil Pública que, agora, está nas mãos da 12ª Vara Federal.

Além disso, falamos, nesta edição, sobre o tempo da espera. Aguardar ser reassentado(a) não significa que a vida parou. Muitas pessoas atingidas tiveram de repensar seus objetivos para se adaptarem à nova realidade. Contamos a história de Larissa Sena, moradora de Paracatu de Baixo, que, diante das mudanças impostas, abraçou o sonho de ter uma loja de roupa. Agora, ela enfrenta os desafios de viver do comércio durante a pandemia da Covid-19.

A pandemia tem se agravado no Brasil, os números de mortos pela doença vêm aumentando. Sofremos de forma coletiva com esse trauma, o que não significa que lidamos da melhor forma com tudo isso. Quando olhamos para outros traumas coletivos, como a tragédia de Nova Friburgo (RJ), em 2011; o caso da Boate Kiss (RS), em 2013; ou, até mesmo, o rompimento da barragem de Fundão, percebemos que, embora exista a comoção do momento, não lidamos bem com as feridas que se alastram no decorrer do tempo – também tratamos sobre isso nesta edição. Apesar disso, nesse momento, é preciso nos cuidarmos. Se possível, fique em casa, lave as mãos constantemente e incentive a vacinação daqueles(as) em idade de se vacinarem.           

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