Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos

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Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos
Manifestação em São Mateus.

(Foto: Daniela Felix/Divulgação)

Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos
Manifestação em São Mateus.

(Foto: Daniela Felix/Divulgação)

Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos
Manifestação em São Mateus.

(Foto: Daniela Felix/Divulgação)

Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos
Manifestação em São Mateus.

(Foto: Daniela Felix/Divulgação)

Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos
Manifestação em São Mateus.

(Foto: Daniela Felix/Divulgação)

Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos
Manifestação em São Mateus.

(Foto: Daniela Felix/Divulgação)

Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos
Manifestação em São Mateus.

(Foto: Daniela Felix/Divulgação)

Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos
Manifestação em São Mateus.

(Foto: Daniela Felix/Divulgação)

Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos
Manifestação em São Mateus.

(Foto: Daniela Felix/Divulgação)

Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos
Manifestação em São Mateus.

(Foto: Daniela Felix/Divulgação)

Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos
Manifestação em São Mateus.

(Foto: Daniela Felix/Divulgação)

Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos
Manifestação em São Mateus.

(Foto: Daniela Felix/Divulgação)

Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos
Manifestação em Baixo Guandu

(Foto: Paulo Daniel/Divulgação)

Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos
Manifestação em Linhares

(Foto: Eliane Balke/Divulgação)

Fomos reconhecidos, mas na verdade não fomos
Manifestação em Linhares

(Foto: Eliane Balke/Divulgação)

Por Rafael Drumond

Com imagens de Daniela Felix, Eliane Balke e Paulo Daniel

Especial para o jornal A Sirene*

Em protesto pacífico realizado em diferentes cidades do Espírito Santo e Aimorés, Minas Gerais, atingidas e atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão (Samarco, Vale e BHP Billiton) denunciaram a insuficiência das medidas de reparação promovidas pela Fundação Renova.

Na manhã dessa terça-feira (24), escritórios da Fundação Renova localizados nos municípios de São Mateus, Linhares e Baixo Guandu, no Espírito Santo, amanheceram cercados por atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão. Pescadores e pescadoras, marisqueiros e marisqueiras, catadores e catadoras de caranguejos, agricultores, entre outros, denunciavam o descaso da Fundação em relação aos danos sofridos pelas populações capixabas desde a chegada do rejeito, em novembro de 2015.

O Jornal A Sirene acompanhou a manifestação realizada no município de São Mateus, norte do Espírito Santo. Luciara da Silva, conhecida como Ciara da Pesca, vereadora do município de Conceição de Barra, explicou o levante:

“Nós fechamos todos os escritórios da Renova no Espírito Santo. Essa manifestação é para que eles nos paguem, porque até hoje, em Conceição da Barra, ninguém nos chamou para ter uma conversa. Estamos aqui para reivindicar nossos direitos. Fomos reconhecidos, mas, na verdade, não fomos, porque até agora eles não fizeram nada para mudar essa realidade”.

Luciara da Silva, vereadora de Conceição da Barra

Entre os pontos de pauta dos manifestantes, destacam-se o reconhecimento amplo de atingidos e atingidas, incluindo a situação de mulheres e de filhos de profissionais já cadastrados, e o pagamento de indenização por lucros cessantes. As vítimas se queixam da condução do Programa de Indenização Mediada (PIM) pela Fundação Renova. Segundo eles, a Fundação não possui uma política clara de reconhecimento, gerando situações que desfavorecem pessoas que passaram toda a vida trabalhando e se alimentando do rio e do mar.

“Reconhecem um pouquinho aqui, um pouquinho ali”, denuncia Zé Martins Pereira, morador da comunidade de Barra Nova Norte, município de São Mateus. O atingido reprova a atuação da Fundação Renova: “Ela está fazendo com o pescador e com os moradores um jogo de peteca. Tem gente passando necessidade, que depende da pesca”.

Sílvia Lafaiete, atingida da comunidade de São Miguel, também localizada em São Mateus, espera que a luta vá além do recebimento das indenizações:

“Eu peço socorro pela recuperação do Rio Doce. Esse Rio Doce que eu tomei banho em Baixo Guandu, em Aimorés – onde eu fui criada. Porque água é vida. Dinheiro vai e volta. O que a gente quer é o Rio Doce.”

A atingida relata ainda um problema sério em relação à segurança alimentar das populações que dependem da pesca como fonte de subsistência: “Tem muito pescador que está comendo o pescado, mas não sabe que está colocando veneno no prato”.

Daniel Santana, prefeito de São Mateus, afirmou que a população do município está necessitada com a queda da produção pesqueira e que a empresa não está cumprindo suas obrigações em relações aos atingidos. Apesar de ter chegado na cidade em janeiro deste ano, até o momento, a Fundação Renova não procurou a prefeitura para entender a situação e as demandas da localidade.

Nenhum representante da Fundação Renova compareceu ao escritório do PIM em São Mateus para dialogar com os manifestantes. Por nota, a Fundação informou que reconhecia o direito à manifestação dos atingidos, mas que, por razões de segurança, seus escritórios não iriam funcionar na data dos protestos. Um grupo de lideranças locais, junto a representantes de outras comunidades do estado, deslocou-se para o município da Serra, também no Espírito Santo, para uma reunião com representantes da Fundação.

Na tarde de hoje, atingidos pelo rompimento de Fundão também estiveram presentes em ato público realizado em Vitória contra o sucateamento da Defensoria Pública do Espírito Santo. A manifestação foi procedida por uma audiência na qual discutiu-se o baixo orçamento destinado à Defensoria, a valorização de seus profissionais, a atuação do órgão em todas as comarcas do estado e a implementação de ouvidoria externa.

*Daniela Felix e Rafael Drumond são colaboradores do jornal A Sirene e, atualmente, participam de uma viagem por regiões atingidas pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Minas Gerais e no Espírito Santo.

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