Vai, Paraca!

Por Luzia Queiroz, Nilton César, Romeu Geraldo e Paracatu de Baixo Futebol Clube

Com o apoio de Daniela Felix e Wandeir Campos

Fotos: Daniela Felix

Há quase dois anos o Paracatu F.C. teve o campo, os uniformes, os troféus e seus locais de confraternização levados pela lama de rejeitos. (Foto: Daniela Felix/Jornal A Sirene)

Depois que a lama passou e estragou tudo, o Paracatu F.C. ficou sem campo, sem uniforme, sem torcida e somente os poucos troféus e medalhas que resgataram. O time conseguiu autorização para treinar no campo do  Marianense F.C., em Mariana, mas, como a turma só chega do trabalho por volta das 18 horas e o lugar não possui iluminação, o treino não acontece. É diferente de Paracatu, onde os jogadores se encontravam às quartas e quintas-feiras e, às vezes, aos sábados. Agora, só se vêem em campo no dia do jogo.

O time solicitou à Fundação Renova/Samarco o uniforme oficial que foi perdido, mas não foi atendido. Hoje, jogam com roupas emprestadas de um dos jogadores. A torcida também diminuiu porque o transporte não é disponibilizado pela fundação/empresa em todos os jogos, apenas quando o mando de campo é da comunidade. Antes, com o campo perto, um número maior de moradores de Paracatu conseguia assistir aos jogos, inclusive pelas janelas de casa.

Mesmo diante de todos os obstáculos, Paracatu resiste. No último domingo, o time jogou contra o Unidos de Santa Rita. Na torcida, estavam Isolina, André, Adriano, Isaías, Amanda, Rafaela, Bodão, Fabricio, Felipe, Heriberto, Caetano, Luzia, Soraia, Diogo, Paulo, Sauá, Dirceu, Poliana, Dona Efigênia e seus netos, entre outros. Moradores do distrito que foram até Passagem de Mariana para ver o Paraca jogar no campeonato da segunda divisão distrital.

A cada partida esperamos o coração entrar no tranco.

O presidente do time, Nilton, cobrava: “A saída de bola! Bola no ar não adianta não, gente! Tem que ser bola no chão. Rápido! Cabeçada de bola não é pra trás, é pra frente!”.

Moisés, camisa 17, se machucou no primeiro tempo. O massagista, Seu Roberto Carlos, correu para ajudá-lo. De longe, dava para escutar o nervosismo dos torcedores: “Nó, gente! Tá doido, sô?”.

O time de Santa Rita marcou o primeiro gol. Enquanto isso, Daniel e Heleno comentavam: “A gente aqui fora sofre mais do que quem tá lá jogando”.

“Salva, Marcelo. Rebate o time de Paracatu. Nilo toca pra Ricardo. Tocou bonito!”- narrava Romeu.

No segundo tempo, Weverley marcou o primeiro gol do Paraca. O resultado do jogo foi 2×1 para o time de Santa Rita, mas o mais triste não foi a derrota e sim ver todo mundo voltando para uma casa que não é sua, para uma realidade que não convém. Cadê o bate-papo após o jogo sobre os acertos e erros, reunidos no bar do Machadão, do Carlinhos, do Jairo e do Banana? Isso é o que dói.

A comunidade de Paracatu luta para não deixar que sua cultura futebolística acabe. Na próxima edição do Jornal A Sirene…

Publicado por Jornal A Sirene em Segunda, 2 de outubro de 2017

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