Era a única opção

Matheus, Afonso Henrique, Ryan, Luís Gustavo e Davidy. (Foto: Tainara Torres/Jornal A Sirene)
Anna Luiza, Maria Luiza, Giovana, Maria Eduarda, Laysa e Ana Cláudia. (Foto: Tainara Torres/Jornal A Sirene)

Por Afonso Henrique, Alan Ribeiro, Ana Cláudia Kfuri, Anna Luiza de Oliveira, Davidy Marques, Giovana Xavier, Laysa Gonçalves, Luis Gustavo, Maria Eduarda Freitas, Maria Luiza Martins, Matheus Ferreira e Ryan Paixão

Com o apoio de Daniela Felix e Tainara Torres

Há mais de um ano, as crianças e os adolescentes de Barra Longa aguardam a entrega do campo de futebol barralonguense, atingido pela lama de Fundão. Sem o espaço, os meninos e as meninas da cidade agora precisam se dividir no uso da quadra e perdem atividades de lazer, saúde e desenvolvimento. Durante todo esse tempo, a Fundação/Renova não foi capaz de articular projetos que envolvessem as atividades desses jovens.

De agosto do ano passado pra cá o campo chegou a ficar pronto, mas nós jogamos nele um mês, e aí começaram a retirar a grama pra refazer, porque fizeram errado e com pressa. Barra Longa não tem nada, o único refúgio que tinha era o campo, o único lugar pro pessoal se reunir, se divertir, era o campo e a quadra. Com o rompimento, o espaço de lazer que era pouco ficou menor ainda.

O campo aqui tá todo errado, tem problemas no sistema de drenagem, a grama é mais de enfeite porque você pisava e era só areia. Quando tinha o campo a gente saía mais, acordávamos e vinhamos pra cá, soltávamos pipa. Em casa ficamos no telefone ou mexendo no computador.

Fomos fazer o teste no campo de Diogo de Vasconcelos e ficamos muito cansados, porque só treinávamos na quadra e ela é pequena. Desacostumamos com a distância, porque ficamos um ano sem campo. Lá, não conseguimos correr aquilo tudo não. Eles falaram que em agosto o campo fica pronto. Não sei se é verdade, né. Sinceramente, não dá pra confiar, porque nunca se sabe se vai ser um serviço certo. Enquanto isso, dividimos a quadra e muitas pessoas não vêm porque tem que pular o muro.

Ainda temos esperança de sermos jogadores um dia. Sabemos que tá quase impossível porque a idade de algum olheiro nos ver era de quando a barragem rompeu e hoje praticamente já passou. Mas nós nunca perdemos a esperança. Temos que acreditar.

Afonso Henrique, Alan, Davidy, Luís Gustavo, Matheus e Ryan

Na época que eu comecei a treinar, todo mundo tinha ganhado uma chuteira da Garra, daquelas bem antigas de couro. Mas depois, eu falei com minha mãe que ia comprar uma chuteira boa, porque estava cansado de jogar com as usadas. Compramos uma, joguei com ela uma vez só e logo depois a barragem veio. Depois da primeira reforma do campo jogamos por um mês e ela já estava apertada. Hoje em dia não me serve mais.

Davidy Marques

E elas?

Os meninos jogavam bola no campo e nós na quadra, mas quando a barragem estourou eles passaram a jogar na quadra também e nós ficamos sem lugar pra jogar. Agora, temos que marcar dia pra jogar, e às vezes chegamos aqui e os meninos já estão. Aí, ficamos sem jogar, sentadas na arquibancada. Desde o meio do ano passado pra cá é assim. Aprendemos a gostar desde novinhas porque não tem outra coisa pra fazer. A gente faz capoeira e joga futebol. Queremos que o campo fique pronto logo, porque do jeito que tá não dá pra ficar não. Futebol é a única opção!

Ana Cláudia, Anna Luiza, Giovana, Laysa, Maria Eduarda e Maria Luiza

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