Manter os costumes

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Manter os costumes
Raimundo Alves, de Bento Rodrigues

Lá eu plantava de tudo, aqui tenho esses três canteiros. A diferença é muita. A gente não esquece de tudo, do passado, e isso aqui já é uma recordação, uma lembrança pra continuar, porque ficar à toa, parado... Se eu não tiver ao menos essa diversão, de passar aqui e poder jogar uma água... Às vezes, tenho que pegar alguma coisa para a casa e passo aqui, pego e levo pra casa. Isso já é uma diversãozinha. (Foto: Tainara Torres/Jornal A Sirene)

Manter os costumes
Maria Félix, de Bento Rodrigues

Lá a varanda era na frente da casa toda. A gente sentava lá e ficava tranquilo. A daqui é pequena e não tem o mesmo movimento que tinha, que era muita gente de tarde brincando. Os amigos que iam lá quase não vêm aqui. E não saiam de lá porque eram todos vizinhos. Aqui é mais eu e meu esposo, fica mais vazio. Lá era assim, dava tarde e ia todo mundo pra varanda. Sete, oito horas, nós estávamos lá. Tinha dia que ninguém nem olhava novela, ia pra lá, ia brincar, conversar. (Foto: Jornal A Sirene)

Manter os costumes
Rosalina Souza, de Paracatu de Baixo

Lá eles ficavam soltos, o espaço aqui deixa eles mais estressados. Eles ficam querendo sair pra rua, mas não posso deixar porque corro o risco deles fugirem. Essa daqui, marronzinha, se salvou sozinha. Depois de um tempo, o pessoal voltou lá e acharam ela toda suja de lama. Onde eu vou (for), eu levo eles, gosto de ficar perto, de cuidar. (Foto: Tainara Torres/Jornal A Sirene)

Manter os costumes
Gilma Antunes Honorato, de Paracatu de Baixo

A gente tem que colocar Deus em primeiro lugar. Independentemente de qualquer situação, Deus tá na frente. Na alegria e na tristeza, a gente não pode abandoná-lo. Jamais eu quero abandonar o que eu gosto de fazer. Temos que ter fé e caminhar com Ele mesmo, porque Ele é quem sabe o que a gente pode ou não. Às vezes, queremos alguma coisa e aquilo não vem e achamos que tá demorando. O tempo da gente é um, o de Deus é outro. (Foto: Tainara Torres/Jornal A Sirene)

Por Gilma Antunes Honorato, Maria Félix, Raimundo Alves, Rosalina Souza
Com o apoio e fotos de Tainara Torres

A vizinhança mudou, a morada também. O caminho que eu faço para sair e voltar pra casa é o mesmo que preciso aprender e reaprender todos os dias. O quarto tem uma outra cama e o cobertor não me aquece da mesma forma. A varanda não fica mais cheia, nem a horta no quintal de casa. A igreja está mais longe e meus animais, que viviam soltos, não têm a mesma liberdade. As noites escurecem de um outro jeito e, da janela, a paisagem está diferente. Hoje, o espaço mudou, mas, todos os dias, nós somos os mesmos.

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