Jornal A SIRENE e o Direito à Comunicação

Atingidas e atingidos entenderam melhor sobre a produção a partir de dispositivos móveis. (Foto: Carol Coelho/Jornal A Sirene)

Por Gustavo Nolasco, Silmara Filgueiras e Vinícius Lourenço Peixoto

Fotos: Carol Coelho

Em parceria com o coletivo MICA e a Brazil Foundation, o Jornal A SIRENE promoveu sua primeira oficina de “Repórteres Populares”. O projeto nasceu com o objetivo de discutir a importância da comunicação como uma ferramenta de luta e de preservação das memórias das comunidades. Em Mariana, nos dias 25 e 26 de agosto, atingidos(as) das comunidades de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Pedras e Barra Longa, e seus apoiadores, compartilharam experiências e aproveitaram os conhecimentos para refletir sobre o jornalismo do qual se quer fazer parte.

No sábado (25), aconteceu uma roda de conversa a respeito do “Direito à Comunicação”. Na sequência, o jornalista e um dos fundadores do Jornal A SIRENE, Gustavo Nolasco, ministrou a oficina de “Produção de textos e pautas jornalísticas”. Ele explicou a linha editorial do jornal e falou sobre a importância do protagonismo dos(as) atingidos(as), que, neste veículo, é fundamentalmente colocado em evidência.

“Todo mundo tinha um pouquinho para contar sobre como é escrever um texto, principalmente um texto para os atingidos, que é bem diferente do que fazer um texto para as massas. A gente acaba não pensando nisso, acha que é super tranquilo pegar um texto e mudar, adequar à norma culta e, na verdade, não é. O Gustavo até falou sobre a liberdade da licença poética para poder escrever e achei muito interessante.. É melhor não alterar tanto o texto, deixar bem parecido com a fala da pessoa que deu a entrevista, além de adequar o texto para o entendimento de quem vai ler”.

Vinícius Lourenço, morador de Paracatu de Baixo

No domingo (26), os fotógrafos e colaboradores Lucas de Godoy e Luiza Geoffroy, trouxeram conhecimentos da área da fotografia para serem aplicados em dispositivos móveis. Eles contaram que a proposta diferenciada busca aproximar as técnicas da  fotografia ao dia a dia das pessoas, entendendo que os celulares são ferramentas de trabalho muito práticas e com grande potencial.

Acho que a oficina é mais uma das incríveis inovações que o Jornal A SIRENE vem promovendo desde a sua própria criação. A luta pelo Direito à Comunicação é complexa e demanda muita organização, foco e, principalmente, braços. Acho que era um bom momento para os próprios atingidos se engajarem mais nessa luta, que não é do jornal, ou dos jornalistas que dão supor-te, é de quem foi atingido pelo crime de Fundão. Agora, me causa revolta e, ao mesmo tempo, me dá ainda mais vontade de lutar o fato de ver uma máquina de dinheiro a serviço de impor a narrativa das empresas responsáveis pelo crime, via uma fundação controlada por eles e com recursos de reparação socioambiental. O salário de um profissional sênior de Comunicação da Renova paga toda a folha de apoio financeiro dado aos profissionais do jornal. Daí já se percebe a necessidade de ampliar a nossa luta. Mas o lado bom disso tudo é que, enquanto o profissional da Comunicação que trabalha lá deve ter dificuldades para se olhar no espelho ou dormir tranquilo, os repórteres populares trabalham e se formam na alegria, na solidariedade e na consciência inteiramente tranquila de que estão do lado do bem.

Gustavo Nolasco, jornalista coordenador de comunicação do Lei.A e um dos fundadores do Jornal A SIRENE

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Próximas oficinas

Gesteira: 15 e 16 de setembro de 2018

Rio Doce: 29 e 30 de setembro de 2018

A participação é gratuita, voltada para os(as) atingidos(as) pelo rompimento da Barragem de Fundão. As vagas são limitadas.

Como participar

Envie seu nome, idade, telefone e comunidade para o e-mail jornalasirene@gmail.com ou se cadastre em aqui neste link.

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