Quem foi sua sirene?

Por Itamar Ferreira, Joana Darc Pinto e Wilson Junior
Com o apoio de Mateus Effgen, Sérgio Papagaio e Silmara Filgueiras

Fotos de  Sérgio Papagaio e Silmara Filgueiras

Na edição número zero do Jornal A SIRENE, publicamos a matéria “Quem foi sua sirene?” para contar como os(as) moradores(as) de Bento Rodrigues souberam do rompimento da Barragem de Fundão e salvaram suas vidas. Pouco mais de três anos depois, no dia 25 de janeiro de 2019, a Barragem Mina do Feijão, controlada pela mineradora Vale, se rompeu em Brumadinho e ceifou mais vidas. Mais uma vez, a negligência de não soar um equipamento de alerta se repetiu e alguns dos(as) moradores(as) de Córrego do Feijão nos contaram como tiveram suas vidas poupadas graças a outras ajudas.

Eu trabalho numa terceirizada da Vale, fazendo limpeza. Tenho o costume de almoçar mais tarde, por volta das 12 horas. Só que, no dia em que a barragem rompeu, eu fui almoçar mais cedo, umas 11 horas, porque tinha esquecido minha garrafa de água e estava com sede. Minha sirene foi Deus. Ele é muito bom, me livrou da morte.
Itamar Ferreira, morador de Córrego do Feijão
Minha filha estava em casa, cuidando do filho de seis meses, e me ligou para vir ficar um pouco com ele. Enquanto ela esperava, a luz de casa acabou. Ela pensou que fosse o padrão de luz que tinha dado problema, pois já aconteceu isso uma vez. Quando olhou pela janela, viu a lama chegando. Pegou o filho e pulou a varanda com ele no braço. Chamou o vizinho e pediu minha ajuda. A sirene dela foi Deus.
Joana Darc Pinto, 57, moradora do Córrego do Feijão
Era horário de almoço, né?! Na hora, eu estava em casa, almoçando. A minha sirene foi uma mulher que saiu pela rua gritando que a barragem tinha estourado.
Wilson Junior, morador de Córrego do Feijão

Confira abaixo a mensagem dos atingidos(as) da barragem de Fundão à população de Brumadinho.

Vivendo os impactos do crime há mais de três anos, atingidos e atingidas de Mariana e Barra Longa se solidarizam com a população de Brumadinho. A impunidade é, sem dúvida, um fator decisivo para a repetição do desastre. Em Mariana são três anos de impunidade. A nossa luta se junta à dos(as) atingidos(as) pela Barragem de Feijão, da mineradora Vale, para que medidas de não repetição passem a ser, de fato, adotadas.

Produção: Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais e Jornal A Sirene Jornalistas responsáveis: Ellen Barros, Larissa Pinto e Suzane Pinheiro.

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