Com muita luta, a justiça será feita

A luta pela Matriz de Danos dos(as) atingidos(as) continua e, mesmo que ainda não tenha sido homologada, uma decisão importante foi tomada pelos desembargadores da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em Belo Horizonte, no dia 11 de fevereiro.  As mineradoras Vale, Samarco e BHP Billiton, ao se depararem com a Matriz de Danos dos(as) atingidos(as) finalizada, alegaram que já exista uma Matriz de Danos (feita pela Renova/Samarco/Vale/BHP Billiton) e pediram recurso para que o valor do pagamento pela produção da nova Matriz não fosse liberado. Diante da tentativa das empresas rés de deslegitimar a luta por uma Matriz justa, os(as) atingidos(as) de diversas comunidades estiveram presentes em frente ao TJMG nos dias 4 e 11 de fevereiro, quando distribuíram a carta em defesa da Matriz de Danos, assinada pela Comissão de Atingidos pela Barragem de Fundão. A resistência funcionou e a justiça votou a favor das vítimas do crime das mineradoras.

Por Arlinda da Silva, Luzia Queiroz, Paula Alves, Sandro José Sobreira e Viviana Renata Montibeller

Com o apoio de Juliana Carvalho e Rafaela Moreira de Assis (assessora técnica da Cáritas)

Em meio a tantos desafios, os atingidos seguem firmes na busca pelos seus direitos. Apesar do decurso do tempo, em meio a árduas batalhas judiciais, podemos ver que a esperança de ver seus direitos efetivados continua na mente e no coração de cada atingido pela barragem de Fundão. Isso foi notório devido à presença deles nas audiências dos dias 4 e 11 de fevereiro. Insatisfeitos com os valores ofertados pela Fundação Renova na Fase de Negociação Extrajudicial (FNE), eles estão em busca de valores que refletem a realidade dos danos sofridos. E a esperança é uma Matriz de Danos dos atingidos.

Rafaela Moreira de Assis, assessora técnica da Cáritas

 

Depois de tanta luta, né, graças a Deus, uma vitória. Com Deus na frente, nós estávamos confiantes. A união faz a força. Eu espero que sejam cumpridos os nossos direitos. Agradecer ao pessoal da Cáritas e aos nossos amigos, que estamos juntos aí, na luta. 

Arlinda da Silva, moradora de Paracatu de Baixo

É como um desembargador lá falou, que viu que a gente tá interessado mesmo na causa. Então, eu entendo que isso fortalece a nossa luta e eles têm que entender que a matriz da Renova não nos representa e nem foi feita por nós. Fizemos a nossa matriz à duras penas, em um processo muito longo para, simplesmente, eles [Renova/Samarco, Vale e BHP Billiton] falarem que não, que não vão aprovar, que não vão aceitar. A gente quer ainda confiar muito na justiça e que ela realmente existe.

Luzia Queiroz, moradora de Paracatu de Baixo

 

A gente está defendendo a matriz de danos, porque a Renova se propõe a pagar as indenizações do jeito dela. Essa matriz de danos que defendemos foi feita junto com os atingidos para que haja uma indenização justa para todos. É bom entregarmos a carta para as pessoas, porque muitos que vêm de fora acham que está tudo tranquilo, tudo normal, mas não está. Para que as pessoas vejam a realidade, porque muitos pensam assim: “ah, os atingidos estão bem, estão ganhando muito dinheiro, estão com a vida boa, está tranquila”, mas não é a verdade. A vida do pessoal não está tranquila, não é a mesma coisa. 

Viviana Renata Montibeller, familiar de moradores(as) de Paracatu de Baixo

Eu tô com o pensamento positivo, porque eles receberem a carta e viram qual era o intuito da gente. Eles pediram vista [do processo] e, com certeza, eles estavam com decisão formada. Aí, essa carta fez eles mudarem a decisão.

Paula Alves, moradora de Bento Rodrigues

Mais uma vitória para os atingidos. É por isso que a gente tem que continuar unido, entendeu? Não pode desistir, não. É um processo coletivo, a gente tem que manter unido pra conseguir vencer a batalha. A gente tem que estar preparado pra tudo, né? 

Sandro José Sobreira, morador de Bento Rodrigues

Ainda não há comentários

Os comentários estão fechados

CADASTRE-SE NA NEWSLETTER

Send this to a friend