Audiência virtual julga pautas sobre reassentamento coletivo

Hoje (26 de agosto), acontece uma audiência virtual sobre o reassentamento dos(as) atingidos(as) de Mariana, às 14h30. Estão em pauta assuntos como área dos terrenos, testadas dos lotes, vizinhança, boa declividade do terreno e recursos hídricos. Os(as) atingidos(as) lutam por uma reparação integral e defendem que apenas com a conversão da área rural em área urbana será possível uma reparação justa.

Por Genival Paschoal

Com apoio de Wigde Arcangelo

Nós estamos em plena pandemia e, mesmo à distância, ainda estamos lutando como podemos para defender o trabalho construído junto a nossa assessoria. Foram mais de cinco reuniões discutindo os assuntos. No reassentamento familiar estamos lutando para que tenhamos uma conversão justa porque até agora só estamos levando prejuízo com as propostas das mineradoras. Nós atingidos de Paracatu e Bento Rodrigues, estamos há quase cinco anos a espera de uma solução para os nossos imóveis que tem inúmeros problemas nos reassentamentos coletivos. Entre eles, podemos citar o tamanho da área que não é o mesmo do de origem, em muitos dos casos não vai dar nem pra colocar tudo aquilo que tínhamos no terreno. Há imóveis em que faltam testadas. Assim, como existiam imóveis que tinham recursos hídricos (córregos, nascentes…). Outros não tinham, mas o rio era perto podia buscar quando quisesse. A água encanada era de graça, podia usar para cuidar dos animais e para irrigação das plantas.

Nos reassentamentos estão previstos a cobrança da água com hidrômetro. Agora imagine só, você tinha tudo de graça lá na roça não pagava nada, agora nos reassentamentos teremos que pagar água, que ninguém sabe o valor que vai ser. Pelo que estamos vendo, vai ser só os que têm boas condições financeiras que vão poder ter criações em casa e quintal cheio de plantações.

Genival Paschoal, morador de Bento Rodrigues

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