Um ano do rompimento da barragem é marcado por lembrança e protesto

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Moradores de Bento Rodrigues e estudantes de Mariana durante a programação do Um Minuto de Sirene, na praça Gomes Freire. Foto: Daniela Felix/A Sirene

Como parte da programação que lembrou o um ano do rompimento da barragem do Fundão, o coletivo “Um minuto de Sirene” ecoou, durante um minuto, a sirene que deveria ter tocado há exatamente 365 dias, anunciando aos moradores que uma tragédia em forma de lama estava correndo terras abaixo. O ato contou com a participação dos atingidos, dos moradores de Mariana e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Todos estavam reunidos na Praça Gomes Freire (Jardim), em Mariana, para o ato simbólico.

Milton Nascimento, conhecido apenas por Seu Milton, é editor chefe do Jornal A Sirene e contou a relevância do ato para trazer à mente tudo o que os atingidos de Bento Rodrigues passaram durante um ano: “passei o dia inteiro tendo lembranças, e quando ouvi essa sirene tocar hoje, me revoltei por ela não ter tocado um ano atrás”.

Em seguida, o microfone foi aberto para que todos os presentes pudessem se manifestar. Dentre os assuntos citados, destacam-se a perda do Rio Doce, famílias que ainda continuam desoladas, e até assuntos atuais como a votação da PEC 241/55. “Cada proposta que é apresentada nos ajuda a enriquecer o modo que iremos trabalhar daqui para frente”, conclui Seu Milton.

Para fechar a noite, o artista Cartin Nardi apresentou o miniteatro “Intervenção de Bonecos”, que impactou o público presente ao tornar a apresentação em um ato pela lembrança dos moradores que morreram na tragédia.

“Sabia que em algum momento o enredo iria tratar de Bento Rodrigues, mas me levou a um lugar que eu não esperava. Não achei que ia ser de uma forma tão crua, com uma pessoa se afogando na lama, pedindo ajuda.”, disse Igor Mattos, estudante da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Retorno

No mesmo dia, os moradores atingidos pelo rompimento da barragem voltaram ao subdistrito de Bento Rodrigues para reviver as lembranças e cobrar por mais justiça. No local os presentes realizaram um missa, que se tornou o ambiente para as intervenções do coletivo “Um Minuto de Sirene”, movimento que trabalha com a reivindicação dos direitos dos atingidos.

// Carlos Paranhos

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