O que temos para dizer às mineradoras?

Por nós, atingidos

Ilustração: Antonio Junior

Na última reunião dos atingidos de Mariana em 2017, realizada no dia 20 de dezembro, moradores de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e das comunidades rurais, acompanhados pela Assessoria Técnica da Cáritas, encontraram-se com representantes da Fundação Renova, Samarco, Vale e BHP Billiton.

O encontro, organizado e mediado pelo Ministério Público Estadual, na pessoa do Promotor de Justiça de Mariana, Guilherme Meneghin, questionava as empresas sobre a recusa da BHP em participar de uma audiência de conciliação judicial prevista para o dia 4 de dezembro passado. Nesta data, seriam discutidas questões específicas sobre os reassentamentos, como a previsão de uma multa revertida aos atingidos em caso de atraso na entrega das casas e a situação das famílias residentes nas comunidades rurais.

Ao final do encontro, os atingidos garantiram uma importante vitória para 2018: as empresas concordaram em participar de uma audiência para conciliação dos pontos levantados. Confira algumas falas dos atingidos dirigidas às empresas mineradoras. No entendimento geral, essas empresas têm se valido da imagem da Fundação Renova para não cumprirem ou serem devidamente responsabilizadas pelo crime de Fundão:

“Não existe nenhuma relação de confiança entre os atingidos e a Fundação Renova. Todos nós sabemos que ela vem como um fantoche para tomar pedrada no lugar das empresas. Ela não resolve nada. Ao invés de resolver, ela burocratiza os problemas.”

Mauro Marcos da Silva, Bento Rodrigues

“Fazer reunião com a Renova é chover no molhado. ‘Semana que vem vai resolver’, ‘Semana que vem vai resolver’ – é só o que a gente ouve. Agora, falar até papagaio fala. Quero ver resolver. Cadê o terreno que falta para reassentar Paracatu?”

Romeu Geraldo de Oliveira, Paracatu de Baixo

“Precisamos do processo de reassentamento incluído na Ação Civil Pública de Mariana para nossa garantia. Como podemos acreditar e confiar que o nosso reassentamento vai sair sem estar judicializado?”

Genival Pascoal, Bento Rodrigues

“O desrespeito e a falta de responsabilidade com a gente é enorme. O nosso povo é uma grande família, mas tá todo mundo cansado. Tem gente desistindo de ir para a comunidade. Vocês estão exterminando com um povoado, um linguajar, uma cultura. Pelo amor de um Deus que vocês tenham, e que existe, resolvam nossos problemas depressa. Ajam!”

Luzia Queiroz, Paracatu de Baixo

“Vocês [Samarco] estão correndo atrás pra voltar a funcionar. Pois então, a gente tá correndo atrás pra nossa vida voltar a funcionar. Nós também queremos voltar a trabalhar: queremos nossa terra, nossas casas, nós queremos continuar nossas vidas. Hoje estamos vivendo a vida das empresas.”

Rosária Ferreira Frade, Paracatu de Baixo

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