Lutar é nosso direito

O artigo 5º da Constituição Federal assegura, a cada um de nós, o direito de nos expressarmos livremente e de fazer reuniões pacíficas em locais abertos. Para os movimentos de luta, as manifestações são instrumentos essenciais e isso não é diferente para os(as) atingidos(as). Manifestar é reivindicar, resistir e, acima de tudo, exigir aquilo que nos é negado diariamente: nossos direitos. 

Por Aloísio Martins, Cristiane Ribeiro, Edilaine Marques dos Santos e Wenderson Carlos
Com apoio de Caromi Oseas (Assessoria Técnica Cáritas), Joice Valverde, Simone Silva e Tainara Torres

Atingidos(as) manifestam contra o atraso dos reassentamentos após audiência pública. Foto: Tainara Torres.

Se não nos unirmos, se não segurarmos um no braço do outro, não vamos conseguir nada, porque, aqui em Barra Longa, ninguém consegue nada se não for através da luta. Vamos lutar para conseguir nossos direitos, se não for assim, se não for na pressão, não conseguimos nada. A gente tem de se unir mesmo, chamar toda população de Barra Longa, correr atrás dos nossos direitos. 

Cristiane Ribeiro, moradora de Barra Longa

 

A Renova só aparece quando tem alguma mobilização feita pelos atingidos, toda vez que fazemos um protesto, eles aparecem. Se não são as manifestações, nós não somos vistos por eles, somos considerados um nada. Os atingidos, para eles, são um nada. Nas reuniões, eles tentam dialogar, mas acaba não chegando a nada. Eles vêm só pra jogar conversa fora, se não pressionar e cobrar, não fazem o que é devido.

Wenderson Carlos, morador de Barra Longa

 

Manifestar é uma forma de mostrar para todo mundo nossa insatisfação e o desrespeito que a empresa nos trata. Porque, pra todo mundo, ela é boazinha, mas a gente só conseguiu o que tem através de manifestação, de não ficar calado. Se a gente ficar calado, não recebe nada, os direitos vão por água abaixo. 

Edilaine Marques dos Santos, moradora de Bento Rodrigues

 

A luta é incansável, temos de lutar, insistir. Apesar de muitos do nosso povo estarem desanimados, porque é só papo, nós vamos seguir, não vamos deixar a peteca cair. Vamos aonde tiver de ir pra gente aprender. Estamos procurando uma força que tem de ser a nossa luta. Pra nós, é só dificuldade, mesmo tendo direito, eles falam que não temos. Então nós estamos aí, lutando contra eles para trazer o povo junto com a gente e para vencer, porque o “não” a gente já sabe que vai levar, mas tem de buscar o “sim”. 

Aloísio Martins e Cristiane Ribeiro, moradores de Barra Longa 

 

Eles vão tentar jogar a culpa sempre para cima dos atingidos, pra gente se sentir culpado e parar, deixar eles fazerem o que quiserem, agir da forma deles. Nós não vamos desistir, vamos bater de frente. Eles tiraram tudo da gente, então a gente tira o sossego deles também. 

Edilaine Marques dos Santos, moradora de Bento Rodrigues

 

É a partir da reivindicação e da manifestação de vontade das pessoas atingidas que o Ministério Público de Minas Gerais e a assessoria técnica da Cáritas atuam e, por isso, todos os direitos conquistados nas negociações extrajudiciais e judiciais são resultado da participação, resistência, persistência e da combatividade das pessoas atingidas. A luta é dos atingidos e, se não fosse por eles, nenhum destes direitos teriam sido conquistados. Até porque sabemos que o sistema de justiça brasileiro é elitista, deslocado da realidade do povo, e é instrumento que perpetua a dominação, defendendo os interesses dos possuidores e criminalizando os despossuídos. Os atingidos e as atingidas pela Barragem de Fundão têm ocupado estes espaços da Justiça e têm reivindicado voz e poder de decisão. Isso é algo que desestabiliza essa estrutura opressora e marca, de uma forma muito bonita, a história do povo daqui. 

Caromi Oseas, Assessoria Técnica Cáritas

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