Cartas de Acaiaca

Estudantes da Escola Estadual Professor Martins, no município de Acaiaca, nos enviaram cartas para contar como enxergam as transformações na vida dos(as) atingidos(as) pelo rompimento da Barragem de Fundão. O município de Acaiaca ainda luta pelo reconhecimento como território atingido pelo crime da mineradora Samarco/Vale/BHP Billiton.

Por Aline dos Santos Oliveira, Ana Luiza Gonçalves Barçante, Débora Marcelly M. da Silva, Ester Machado Armond, Gabriel de Carvalho Guimarães, Igor da Silva Santos, Ingrid Vitória Machado Moreira, Jéssica Guilherme Martins, Marcela Eduarda Lourenço Gomes, Maria Luiza Vicente Isaias, Naryara Oliveira Silva, Rayane Josefa da Cruz Silva e Valdeci José Alcântara Euzébio

Com o apoio de Simone Silva e Wigde Arcangelo

No dia 5 de novembro de 2015, entre às 16h e 17h, aconteceu o maior crime socioambiental desse país, com 20 mortos. Isso aconteceu, porque, infelizmente, ainda existe muita corrupção, ganância, preconceito e racismo ambiental. As barragens, na maioria das vezes, se localizam em comunidades de quem trabalhou anos para conquistar suas coisas. Elas viram seus pertences sendo levados em questão de segundos. Não só bens materiais, mas pessoas queridas que foram embora. Depois disso tudo, essas pessoas nunca terão a mesma vida de volta. Nem todos aguentam tantas perdas de uma só vez. 

Débora Marcelly M. da Silva, moradora de Acaiaca

Não tem como a vida de pessoas atingidas por barragens continuar a mesma, porque isso destrói a vida delas, ao acabar com suas moradas. Levam animais por água abaixo, polui água, mata peixes dos rios e, depois, eles têm que recomeçar a vida do zero, reconstruir casas e arrumar empregos.

A Barragem do Fundão se rompeu no dia 5 de novembro de 2015 e causou uma devastação ambiental enorme. Ela saiu de Bento Rodrigues, município de Mariana, atingiu Barra Longa, Rio Doce e chegou ao mar do Espírito Santo. A mais recente foi a de Brumadinho, no dia 25 de janeiro de 2019, no Córrego do Feijão, que matou mais gente do que a de Fundão. Até hoje, as pessoas lutam para arrumar sua coisas de novo.

Valdeci José Alcântara Euzébio, morador de Acaiaca

Muitas vezes, os atingidos são muito julgados pela sociedade, pois ouvem que ganham casas e pensões de graça por dizer que foram atingidos. Mas a sociedade não sabe o quanto é ruim perder tudo, inclusive familiares queridos, documentos, animais de estimação, entre outras muitas coisas.

Algumas pessoas que sobreviveram à barragem ficaram muito tristes por perderem tudo ou ficaram contaminadas com resíduos da barragem. 

Maria Luiza Vicente Isaias, Gabriel de Carvalho Guimarães, Igor da Silva Santos e Ester Machado Armond, moradores(as) de Acaiaca 

Já se passaram quatro anos e ainda há muitas pessoas sofrendo por perderem seus familiares e sua história. A vida das pessoas que sofrem esse crime da barragem nunca voltará a ser a mesma. Elas perdem sua identidade, suas casas, histórias, muitas perdem seus familiares e, depois desse crime, muitas ficam com depressão, com muito medo de acontecer novamente. É um crime, porque eles sabiam que a barragem estava com a estrutura ruim e não falavam nada com ninguém e nem tentaram arrumá-la.

Aline dos Santos Oliveira, moradora de Acaiaca

Faz quatro anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana. Mais um crime contra a vida, fruto desse modelo que apenas provoca tragédias anunciadas. Foi denunciado o atual modelo de mineração utilizado no país. Mais uma vez, o lucro está acima de vidas humanas e do meio ambiente. Algumas pessoas perderam completamente tudo, inclusive seus familiares, alguns tiveram depressão forte. Algumas coisas foram recuperadas mas, infelizmente, as pessoas queridas que perdemos não podem ter de volta suas vidas.

Naryara Oliveira Silva, Jéssica Guilherme Martins, Marcela Eduarda Lourenço Gomes, Ingrid Vitória Machado Moreira, moradoras de Acaiaca

Em 5 de novembro de 2015, aconteceu um crime em Bento Rodrigues, município de Mariana. Esse crime acabou com as identidades, histórias, famílias, casas de muitas pessoas. Nesse processo de demora vai fazer quatro anos que não tem uma casa feita. 

Rayane Josefa da Cruz Silva e Ana Luiza Gonçalves Barçante, moradoras de Acaiaca

COMENTE

Ainda não há comentários

Os comentários estão fechados

CADASTRE-SE NA NEWSLETTER

Send this to a friend