Novembro em Barra Longa

O mês de novembro, em Barra Longa, foi marcado por eventos importantes para os (as) atingidos(as): a divulgação da Matriz de Danos e a devolutiva dos estudos de contaminação.

Por Ciro do Nascimento Monteiro, Leandro Raggi, Lineu Viana de Oliveira Ribeiro, Verônica Viana de Sousa

Com o apoio de Joice Valverde, Juliana Carvalho e Wigde Arcangelo

O direito à indenização justa 

O direito à indenização justa aparece na pauta dos(as) atingidos(as) de Barra Longa pelo rompimento da barragem de rejeito das mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton, em Mariana, desde 2017. A pauta de reivindicação foi construída nos grupos de base com os(as) atingidos(as) de Barra Longa e com sua Assessoria Técnica. Os(As) atingidos(as) determinaram que a pauta da indenização fosse dividida em quatro eixos: Moradia e Objetos; Produção Agrícola, Comércio, Trabalho e Despesas, Saúde e Dano Moral. A matriz de danos é uma ferramenta utilizada para valorar em dinheiro os danos causados pelo rompimento da barragem de rejeito da Samarco aos(às) atingidos(as) da bacia do rio Doce. 

A proposta de uma nova matriz de danos foi apresentada pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro para a Comissão de Atingidos(as) de Barra Longa. Essas discussões trouxeram, como proposta, uma Assembleia de Negociação com a Fundação Renova, para apresentar a nova matriz de danos, no dia 16 de outubro de 2019. A Fundação, além de não comparecer, pediu 15 dias para voltar ao município para uma nova negociação. No dia 30 de outubro, a Fundação Renova compareceu à Assembleia de Negociação, na qual lhe foi apresentada a proposta de uma nova matriz de danos e um documento teórico que fortalece a importância do direito à revisão da matriz pelos(as) atingidos(as). A Fundação Renova deixou acordado com os(as) atingidos(as) que voltaria no dia 7 de novembro com respostas, mas, novamente, não compareceu e justificou que não caberia à Assessoria Técnica a discussão sobre a matriz de danos. Nesse sentido, é importante ressaltar que a revisão da matriz de danos proposta pelos(as) atingidos(as) e pela Assessoria faz parte do seu trabalho e está descrita no projeto da Assessoria Técnica Independente dos(as) atingidos(as) de Barra Longa.

 

Devolutivas da Saúde

No dia 22 de novembro, foi realizada, em Barra Longa, uma coletiva de imprensa para divulgar os estudos desenvolvidos pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), por meio da coordenação da Professora Dulce Maria Pereira.
Tais estudos são produtos desenvolvidos com a atuação da Assessoria Técnica dos Atingidos de Barra Longa que prevê a elaboração de estudo e de produção de dados relativos aos danos à saúde e ao meio ambiente decorrentes do desastre-crime provocado pelo rompimento da barragem de Fundão/Samarco.
Importante ressaltar que o estudo foi fruto da construção coletiva dos atingidos que, inclusive, escolheram a professora Dulce como profissional de sua confiança, bem como a UFOP como instituição idônea capaz de contribuir para a compreensão dos danos desse desastre-crime.
A divulgação da pesquisa desenvolvida pela UFOP, somada à divulgação do estudo sobre saúde realizado pela AMBIOS (mesmo com um recorte diferente, seus resultados corroboram com as conclusões da estudo da UFOP), é um passo importante para a reafirmação de que toda a população de Barra Longa e da bacia é atingida pelo desastre-crime da Samarco. Também alerta para a urgência da implantação do Plano de Saúde, construído pelos atingidos com a colaboração da Assessoria Técnica, como mecanismo importante para a mitigação e o monitoramento da saúde no território fragilizado pelo contexto da exposição do rejeito na bacia.

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