Pedras manifesta por melhorias na estrada

No dia 12 de fevereiro, atingidos(as) de Pedras protestaram contra a Renova/Samarco/Vale/BHP Billiton ao paralisarem a estrada no trevo Águas Claras-Paracatu de Baixo. O ato foi contra o descaso da Renova em atender as demandas da comunidade, sendo a principal delas a melhoria das vias de acesso que ligam Mariana aos territórios atingidos. Apesar da Fundação ter sido avisada previamente da paralisação, os(as) trabalhadores(as) das empreiteiras contratadas para a obra do reassentamento de Paracatu foram enviados (as) normalmente ao trabalho e, por isso, ficaram parados(as) na manifestação.

Por Arlinda das Graças Batista Lourenço, Cleonice Aparecida Gonçalves e Márcio Sebastião da Costa 

Com o apoio de Joice Valverde e Wigde Arcangelo

Primeiramente, eu procurei a polícia no quartel. Ela entrou em contato com a Renova, pedindo se era possível que negociasse com a comunidade. Ela falou que entraria em contato comigo até às 17h, mas não entrou. Aí foi onde tomamos a providência de fazermos essa manifestação. Nós não temos nenhum problema com os trabalhadores que ficaram aqui parados, nossa questão é com as mineradoras, Fundação Renova e Prefeitura. São quatro anos só de enrolação e nada até hoje. Nós somos de Pedras, nossa estrada está horrível, o asfalto está todo quebrado, os caminhões estão atrapalhando o acesso das comunidades rurais e não estão respeitando os limites de velocidade. Já reclamamos com a Renova sobre os caminhões, disseram que era para anotarmos as placas, mas não adianta porque, no outro dia, vemos o mesmo caminhão rodando. Estamos, há quatro anos, tentando dialogar com a Renova e nada. 

Cleonice Aparecida Gonçalves, moradora de Pedras

Essa paralisação é porque já tem quatro anos que a Renova vem reunindo e prometendo fazer alguma coisa, mas não faz. Assinaram um compromisso no Ministério Público de fazer melhoria, fez reunião para saber o que a comunidade queria, pedimos o asfalto e a manutenção das estradas. Eles assinaram um documento com a prefeitura para eles darem manutenção na estrada e isso não está acontecendo. Os meninos não estão indo para a escola, porque a estrada está horrível. A gente está tentando negociar com a Renova e não está tendo acordo. Nós estamos reivindicando coisas da comunidade, não queremos nada individual. Queremos, simplesmente, que eles assumam o compromisso que fizeram no Ministério Público juntamente com a Prefeitura. Hoje, você procura a Prefeitura, ouvimos: “nós não temos mais nada com vocês, é a Renova”. Mas a Renova não assume o compromisso com a comunidade. O asfalto é de Monsenhor Horta até Paracatu e está tudo estourado. Caminhão de 22 toneladas, está passando 66 caminhões, e esse asfalto não foi feito com estrutura para atender a tudo isso. E as estradas de terra de Campinas, Pedras, Barreto, a região nossa está tudo ruim. 

Márcio Sebastião da Costa, morador de Pedras

Após mais de cinco horas de paralisação, a equipe de diálogos da Renova/Samarco/Vale/BHP Billiton foi até a manifestação para negociar com os(as) atingidos(as). No entanto, os prazos apresentados não agradaram aos(às) atingidos(as), que voltaram a se manifestar no dia seguinte.

No dia 12 que a gente entrou em acordo com a Renova. Eles que iam fazer a vistoria. Fizeram a vistoria e ficaram de começar o trabalho na segunda-feira [17 de fevereiro]. Não começaram, na terça também não. Aí, depois, fizemos outra manifestação. Nós paramos geral lá de novo, mas, como sempre, eles falaram que iam fazer, fazer, fazer… Só arrumou o alto de Paracatu. O outro trajeto da estrada continuou a mesma coisa, eles têm que arrumar lá. O trajeto está muito difícil, está caindo muito material, muita brita na estrada, tem muito fluxo de caminhão. Eles falaram que vai ficar pior o fluxo de caminhão. Tem muito mato, muito buraco. A chuva não colabora e eles também não ajudam. Eles estão enchendo muito os caminhões. A estrada é de muita curva, muita subida, aquilo está derramando muito, é muita brita, brita grossa, brita fina… Aquilo pode fazer rodar um carro, uma moto, é coisa de segundos. Sem contar que estão quase passando por cima das pessoas, de carro ou de moto. Como que a pessoa vai viver nessa situação, nesse susto todo? Você vai resolver qualquer coisa em Mariana e não sabe se volta, porque você pode topar ali com um caminhão. E eles, quando andam, é de cinco, seis, 10 a 15 caminhões de uma vez. Eles tomam conta da estrada. Aí você vem trazer um doente ou pegar alguma coisa em Mariana, você não sabe como que vai ser sua volta. O pessoal que fica em casa fica preocupado até a pessoa voltar. 

Arlinda das Graças Batista Lourenço, moradora de Pedras

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