No caminho da reparação: novos danos

A reparação da Renova segue deixando um rastro de novos danos. Os moradores vizinhos ao reassentamento de Lucila, novo Paracatu, reclamam de transtornos causados pelas obras de acesso ao terreno. Com a ausência de uma contenção efetiva, as chuvas, naturais neste período do ano, vêm agora arrastando terra e entulho pelo caminho afora. Mais uma vez, as casas são invadidas, o que causa estragos e isola os(as) atingidos(as). A construção do reassentamento é um dever previsto no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), no entanto, a Renova/Samarco/Vale/BHP Billiton não dá um passo a favor da reparação sem atingir novamente as comunidades envolvidas. 

Por José Leão e Tinha Azevedo

Com o apoio de Joice Valverde e Wigde Arcangelo

Essa é a obra que dá acesso ao novo Paracatu. E, para dar acesso até lá, tem que passar aqui por Paracatu de Baixo. Então eles estão abrindo a estrada e está fazendo uma pilha de terra na parte de baixo. E, na parte de cima, que eles estão mexendo, é areia. Quando chove muito, aquilo desce e aí vem trazendo tudo. Do frigorífico até aqui, não tem mais cerca, arrebentou tudo. E encheu a minha vargem, aqui está cheio de areia, lá em cima está cheio de areia, a cerca que divide o meu terreno está arrebentada por causa da empresa. Eles já vieram aqui uma vez, olhou, olhou, falaram que vão tirar um pouco e, até hoje, ninguém apareceu. 

José Leão, morador de Paracatu de Baixo

Atrapalha a passagem, porque, quando está chovendo, a gente precisa passar, mas fica preso, porque a água invade a estrada. E também a passagem dos meus bezerros, que era aqui onde está assoreado. Então, se está assim, não tem como os bezerros pastarem. Tive que tirar os maiores e deixar só os menores, porque desceu com muita velocidade e veio quebrando o leito do rio.

Tinha Azevedo, moradora de Paracatu de Baixo

Desde quando deu a primeira chuva forte, já começou a descer. Aí eu fiquei até preocupado achando que podia ser uma barragem do vizinho, lá em cima do frigorífico, que tinha estourado. Aí ele falou: “olha, entrou dentro do frigorífico, já entrou dentro da casa do caseiro, e trouxe até a caixa d’água dele”, tá tudo parado ali em cima. Igual falei pra eles, enquanto eles tiverem mexendo lá naquela terra, eu vou sofrer aqui embaixo. 

José Leão, morador de Paracatu de Baixo

Eles recebem bem, falam que vai fazer, que vai olhar. E vamos ser justos, eles até vieram olhar. Só que olhar não resolve. Tem que resolver o problema. Veio, olhou, foi embora, falou que voltava pra retirar o material que está aí, mas até agora nada. 

Tinha Azevedo, moradora de Paracatu de Baixo

Antes só descia água normal, água de chuva passava e ia embora, não trazia nada não. Agora não, acabou com cerca, acabou com tudo. E vem descendo tudo lá de cima, é balde, é botina, tem até uma cabeça de boi ali, eu até pendurei, tem chifre ali no meio da água. Meu esgoto aqui tá entupido, porque como é que passa com esse monte de areia descendo? Falam: “é a chuva”. Eu concordo que seja a chuva, mas e a terra que desce e arrebenta tudo?

José Leão, morador de Paracatu de Baixo

Porque a natureza, você não pode mexer com ela. Mexeu e ela dá retorno. Aí o que aconteceu? Eles mexeram, tirou um barranco lá, que são vários metros de altitude. Conclusão: a água de chuva que desce lá não vai descer onde ela descia antes. Ela vai descer com muito mais velocidade e vem arrebentando tudo que tem pela frente. Fora a terra que ele estão fazendo a pilha e está descendo terra da pilha. Então vem levando tudo que acha pela frente. 

Tinha Azevedo, moradora de Paracatu de Baixo

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