Nossa água: de onde vem e para onde vai?

Por Luzia Queiroz, Maria Geralda e Romeu Geraldo

Com o apoio de Eduardo Moreira, Flávio Ribeiro e Assessoria Técnica da Cáritas

A comunidade de Paracatu de Baixo tenta estabelecer um debate com a Renova/Samarco para tratar de uma das questões mais urgentes para o seu reassentamento, o abastecimento de água e o saneamento básico. Até o momento, não há uma estimativa adequada sobre o uso de água para os moradores e a fundação/empresa utiliza, como guia, o consumo de 200 litros de água por pessoa ao dia. Esse cálculo, porém, é baseado para o meio urbano e uma comunidade rural consome muito mais água devido à atividades, como plantio e criações. A Renova/Samarco têm dito que fará o estudo definitivo sobre o real consumo de água apenas após o processo de Cadastro.

“A gente achou que o estudo já estava pronto, porque, quando a gente fez a escolha do terreno para o reassentamento, a Samarco disse que a água não era um problema.”

Luzia Queiroz, atingida de Paracatu de Baixo

“A Renova tinha capacidade e recurso para ter feito esse estudo separadamente do processo de Cadastro. Qualquer técnico sabe que tem que conhecer a demanda de água anteriormente.”

Hélio Sato, assessor técnico da Cáritas

A Renova/Samarco apresentou apenas o poço artesiano para o abastecimento hídrico da comunidade. Diante disso, os moradores sugeriram mais opções. As quatro possibilidades de captação apresentadas por eles estão agora em processo de avaliação.

Poço artesiano

Dos três poços que a Renova/Samarco se comprometeu a perfurar, um foi construído por exigência da Semad (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) e da Secir (Secretaria de Cidades e de Integração Regional), como condição para o licenciamento ambiental. Porém, os moradores não querem que esta seja a única opção. A preferência é que o abastecimento ocorra a partir de córregos e nascentes.

Córregos

Os córregos Coelhos, Crasto e Ribeirão do Peixe, localizados próximos a Lucila, e indicados pelos moradores, foram confirmados como viáveis para captação. Porém, a comunidade reforça a importância de se ampliar as possibilidades e garantias.

“O córrego de Coelhos já abastece Furquim. Em épocas de estiagem, ele quase não tem vazão suficiente para abastecer o distrito.”

Romeu Geraldo, atingido de Paracatu de Baixo

Bombeamento da Ponte de Pedra

A Ponte de Pedra é o local da nascente que abastecia Paracatu. Os moradores sugerem que seja feito o bombeamento dessa água até Lucila, pois se sentem mais seguros em relação à qualidade dessa água.

Essa água da Ponte de Pedra a gente já conhece. A Renova/Samarco diz que as outras opções para abastecimento são longe, então, é melhor eles buscarem de Paracatu.”

Maria Geralda, atingida de Paracatu de Baixo

Nascentes

Na região de Lucila, existem nove nascentes que, para os atingidos, são boas opções de abastecimento. Ainda não há estudos sobre elas.

“Uma das nascentes parece ter vazão de água maior do que a que fica na Ponte de Pedra.”

Romeu Geraldo, atingido de Paracatu de Baixo

Tratamento de água

Diante das opções, a Renova/Samarco terá que criar uma Estação de Tratamento de Água (ETA). Esse tratamento, porém, irá gerar custos e a dúvida dos(as) atingidos(as) é: quem vai pagar essa conta? Ainda, sobre a utilização da água nas atividades rurais, a comunidade pede, como garantia, que ao menos quatro pontos sejam oferecidos sem terem que passar por tratamento, para evitar gastos no futuro.  

Tratamento de esgoto

Após pressão da comunidade, a Renova/Samarco apresentou, sem grandes explicações, opções para o tratamento do esgoto. Mas há várias dúvidas sobre essas opções que ainda precisam ser esclarecidas.

Fossa séptica

Trata-se de um sistema de tratamento natural de esgoto. É composto por tanques onde ocorrem processos biológicos (sem adição de produtos químicos) que transformam os dejetos recebidos em matéria orgânica. Normalmente é implantada uma unidade de tratamento para cada casa.

Estação de Tratamento de Esgoto

São locais para onde o esgoto de diversas casas é levado por uma rede coletora com um longo sistema de tubos subterrâneos para ser tratado e, em seguida, devolvido ao meio ambiente.

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